Lei do Bem: redigindo um “projeto de sucesso”

Coordenadoras da Inventta+bgi dão dicas de como preencher os formulários para a Prestação de Contas da Lei do Bem

Compartilhe:


5 passos para a escrita de um projeto de inovação tecnológica para a Lei do Bem

Ter sucesso na aprovação de um projeto de inovação tecnológica vai muito além de simplesmente ter um bom projeto: é preciso saber como apresentá-lo e defendê-lo. Ou, como diz a sabedoria popular, “saber vender o peixe”.

Quem faz o alerta são as coordenadoras da Inventta Marina Loures e Tiara Bicalho, que produziram o artigo de título autoexplicativo “5 passos para a escrita de um projeto de inovação tecnológica para a Lei do Bem”.

Além de elencar os principais pontos a que os empreendedores devem atentar no momento de preencher os formulários para a Prestação de Contas da Lei do Bem, Marina e Tiara também descrevem os erros mais comuns e que devem ser evitados. Confira o artigo a seguir.

5 passos para a escrita de um projeto de inovação tecnológica para a Lei do Bem

É muito comum as empresas nos perguntarem como escrever um bom projeto de inovação tecnológica para a Prestação de Contas da Lei do Bem (FORMP&D). Acreditamos que o sucesso na aprovação de um projeto de inovação depende de vários fatores, e vai muito além de ter um projeto com conteúdo de inovação tecnológica: é importante saber apresentá-lo e defendê-lo!

A escrita de um projeto para fins do benefício da Lei do Bem envolve a descrição clara de “como” foi realizado o desenvolvimento do novo produto ou processo, apresentando o problema tecnológico resolvido, o progresso científico e tecnológico alcançado, e com que abordagem ele foi resolvido, ou seja, se precisou de investigação ou foi resolvido com o repertório de conhecimentos dominado pela equipe da empresa.

Existe uma distância muito grande entre um projeto altamente tecnológico e sua escrita para aprovação no Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Para diminuir essa distância, apresentamos algumas dicas que consideramos cruciais para descrição de um projeto de inovação tecnológica:

1 – Descreva com clareza o elemento inovador de seu projeto

O elemento inovador do projeto deve representar um progresso científico ou tecnológico, por meio da aquisição de conhecimentos para compreensão de novos fenômenos, desenvolvimento ou aprimoramento de produtos, processos e sistemas, assim como para a comprovação da viabilidade técnica ou funcional de novos produtos, processos, sistemas e serviços.

A análise do progresso científico ou tecnológico pode ser realizada por meio da compreensão do Estado da Arte da tecnologia em questão, ou seja, quando as tecnologias utilizadas no projeto não são bem conhecidas e de amplo domínio, bem como pela análise da complexidade do problema a ser resolvido. Além disto, um parâmetro interessante é a observação que a solução não é óbvia para alguém com os conhecimentos básicos necessários no setor considerado.

Questione-se!

Quais são os objetivos do projeto? Existe um elemento novo ou inovador neste projeto? Ele se baseia nos fenômenos, em estruturas ou em relações desconhecidas até agora? Consiste na aplicação de uma maneira nova de conhecimento ou técnicas já conhecidas? Existe uma possibilidade de que o projeto resulte em uma nova compreensão (mais ampla e aprofundada) dos fenômenos, com potencial de interessar a mais de uma organização do mesmo setor ou de outros setores?

Lembre-se!

Descreva a tecnologia a ser desenvolvida, suas novas funcionalidades/ características e sua aplicação. Destaque as novidades tecnológicas da nova solução. Descreva as soluções existentes e as limitações delas que justifiquem o novo desenvolvimento (o que existia antes desse projeto, como era feito, quais eram as limitações das soluções existentes).

2 – Detalhe as barreiras e desafios tecnológicos relevantes

Nas barreiras e desafios tecnológicos, é fundamental que as atividades realizadas para superar os problemas identificados no projeto sejam claramente descritas. É importante, também, destacar a solução apresentada para ultrapassar a barreira tecnológica do projeto, bem como os resultados encontrados, mesmo que seja uma conclusão de que a premissa adotada e testada para superação da barreira não deve ser mais seguida.

Devem-se incluir aspectos que estejam além das dificuldades tradicionais de um processo de desenvolvimento, e que justifiquem a realização de atividades de pesquisa ou desenvolvimento experimental. A empresa não deve caracterizar uma inovação sem ter sido resultado de uma atividade de Pesquisa Básica Dirigida, Pesquisa Aplicada ou Desenvolvimento Experimental.

Questione-se!

Quais são os maiores desafios e barreiras tecnológicas deste projeto? Quais os riscos de insucesso do mesmo? O conhecimento estava disponível no setor ou na empresa?

Lembre-se!

Descreva os desafios e incertezas envolvidos no desenvolvimento do novo produto ou processo, a fim de se enfatizar o risco tecnológico. Detalhe “como” o desafio será superado. Informe se o projeto é novo para a empresa, Brasil ou mundo.

3 – Descreva a metodologia utilizada para solução do problema

Descreva o método adotado para a execução do projeto e o alcance dos objetivos almejados, de forma clara e compreensível. Para descrever com clareza, a empresa deve destacar as atividades executadas, o processo utilizado, bem como demonstrar as competências que foram exigidas para implementação do projeto.

Questione-se!

Quais são os métodos utilizados? Quais as fases/atividades do projeto?

Lembre-se!

Qual a metodologia e atividades realizadas para superar cada incerteza técnica. Qual o processo de validação utilizado (ex: laboratório, testes, piloto, protótipo). Quais as competências necessárias para desenvolvimento do projeto. É importante não se limitar a atividades comuns do desenvolvimento, mas aquelas que foram especiais e/ou específicas do projeto em questão.

4 – Apresente informações complementares relevantes

Este espaço do formulário permite que seja realizado um detalhamento maior do projeto, permitindo esclarecer pontos que não foram abordados nos itens anteriores, tais como: contexto do projeto, resultados esperados e alcançados até o momento, parcerias envolvidas no desenvolvimento, patentes solicitadas, teses de mestrado e doutorado elaboradas, outras fontes de financiamento utilizadas, contratações de equipes dedicadas e treinamentos realizados para aquisição de novos conhecimentos, que viabilizem o desenvolvimento do projeto.

Caso se faça necessário, é permitido que a empresa envie anexo à Prestação de Contas um detalhamento maior dos projetos beneficiados.

Questione-se!

Os resultados podem ser patenteados? Quais os ganhos de qualidade e produtividade esperados? De que maneira as conclusões ou os resultados deste projeto poderão ser aplicados em outras empresas e outros setores?

Lembre-se!

Descreva os resultados alcançados, bem como os progressos técnicos/conhecimentos adquiridos. Detalhe as parcerias necessárias. Descreva os treinamentos realizados que foram fundamentais para o desenvolvimento da solução. Detalhe a equipe envolvida e sua multidisciplinariedade.

5 – Não cometa os erros comumente encontrados

No momento da defesa da inovação tecnológica, aprofunde no conceito do projeto, evitando a utilização de conceitos idênticos aos dos principais manuais de referência, uma vez que isto pode resultar em descrições ambíguas. Além disso, evite apresentar desenvolvimentos de produtos/processos com tecnologias bem conhecidas e de amplo domínio, ainda que constituam uma novidade para a empresa, uma vez que os desafios e riscos tecnológicos podem não ser expressivos.

Na descrição das barreiras e desafios tecnológicos, não descreva desafios mercadológicos, uma vez que estes não são passíveis dos incentivos da Lei do Bem. Também evite descrever “o que” o produto ou processo desenvolvido tem (suas funcionalidades, por exemplo) e o que “fazem”. Descreva “como” ele foi desenvolvido e as atividades realizadas para superar as barreiras tecnológicas identificadas.

No detalhamento da metodologia utilizada, não apresente metodologias padronizadas, frequentemente associadas a ferramentas de controle gerencial do desenvolvimento, e que pouco mostram a natureza do desafio técnico-científico enfrentado. Além disto, não repita a descrição dos anos anteriores, mas sim indique as evoluções do desenvolvimento.

Por fim, destacamos que com a criação dos Comitês de Auxílio Técnico (CATs), especializados por setor, a análise tem ficado cada dia mais rigorosa. Sendo assim, recomendamos que a empresa estabeleça um alto nível de detalhamento e controle das informações dos seus projetos de P,D&I, bem como realize um acompanhamento bem próximo de sua evolução.

Autoras

Marina Loures é coordenadora de projetos da Inventta+bgi/ABGI e trabalha há sete anos com inovação. Graduada em Engenharia de Controle e Automação pela UFMG, com pós-graduação em Gestão de Negócios na Fundação Dom Cabral e mestrado em Engenharia Elétrica. Acumula amplo conhecimento em incentivos fiscais à inovação, captação de recursos e estruturação de centros de pesquisa, bem como formulação de relatórios e pareceres.

Tiara Bicalho atua como coordenadora na Inventta+bgi/ABGI na área de recursos financeiros para inovação. É graduada em Engenharia de Produção pela UFMG e possui mestrado em Administração com ênfase em Estratégia e Gestão da Inovação. Executou e coordenou projetos de incentivos fiscais à inovação tecnológica e captação de recursos em empresas de grande porte do setor automotivo, siderúrgico, cimentício, software, automação e telecomunicações.

 

cta-livro-fomento
Ir para o topo

Contato

Tem alguma dúvida? Estamos aqui para ajudar!

Entre em contato