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Setor de cosméticos aposta na inovação para crescer

Empresas do ramo estão mais atentas em investir em novas tecnologias que atendam às demandas do mercado, cada vez mais qualificado e exigente

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É senso comum a necessidade de as empresas inovarem para se manterem competitivas no mercado global. No setor de cosméticos não é diferente e a inovação, proveniente de constantes pesquisas, é essencial para o crescimento sustentável. Nesse contexto, as empresas do segmento precisam se estruturar para investir em novas tecnológicas visando conciliar as novidades trazidas pelo mercado como a sustentabilidade, a utilização de nanopartículas e a acessibilidade dos novos tratamentos estéticos.

A indústria mundial de cosmético também precisa estar atenta às tendências atuais de mercado, como de produtos veganos (livres de ingredientes de origem animal), naturais e orgânicos, ao uso de novas substâncias em itens de cuidados pessoais e beleza, à forma como os testes dos produtos são realizados e aos impactos associados à fabricação.

Essas questões parecem simples, mas se tornaram extremamente importantes na estratégia das companhias de cosméticos, o que afeta diretamente fornecedores de insumos e fabricantes, principais atores desse meio que estão se unindo para formar parcerias mais fortes.

Conforme se verificará a seguir, acompanhar tendências e novidades tecnológicas do segmento exige, cada vez mais, a prática da inovação aberta e políticas públicas que fomentem esse setor.

 

Estratégia assertiva

A necessidade de inovar está na estratégia das empresas de cosméticos brasileiras, que sempre se destacam nos rankings de inovação. A revista “Valor Inovação Brasil 2016”, publicada pelo Valor Econômico, apresentou o ranking das 100 empresas mais inovadoras do país, aparecendo 12 que atuam no setor de cosméticos.

 

Ranking das Empresas de Cosméticos, Farmacêuticas e Ciências da Vida

Posição (amostra)Posição originalEmpresa
13Natura
26Grupo Boticário
312L’Óreal
417Aché
538Janssen
643Cristália
744Biolab Snus
848Sanofi
955Eurofarma
1060Pratti-Donaduzzi
1168Avon
1287Johnson & Johnson Medical Devices

 

É importante ressaltar que se trata de um setor no qual a inovação é realizada em diversas linhas de pesquisas. E não visa apenas o produto, mas faz com que ocorra desde a embalagem até o descarte/uso e também nas novas formas de realizar o marketing das empresas.

Uma característica observada no país é a formação de parcerias entre as empresas e instituições de pesquisas que são referências mundiais nesse tema. Segundo o estudo “State of Innovation 2016”, realizado pela área de negócios de propriedade intelectual e ciência da Thomson Reuters, as Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp) estão entre as instituições científicas mais produtivas na pesquisa em cosméticos no mundo, ocupando, respectivamente, a primeira e a oitava colocações.

 

Ranking das instituições científicas mais produtivas na pesquisa em cosméticos

(clique na imagem para ampliar)

 

O modelo de inovação aberta contribui para entender a posição da USP no primeiro lugar do ranking de pesquisa em cosméticos. Os convênios e parcerias com o setor produtivo são um passo importante. O Núcleo de Estudos Avançados em Tecnologia de Cosméticos (Neatec) da USP, por exemplo, possui parcerias com empresas, como a L’Oreal, Alergisa, Ourofino, e mesmo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – órgão que regula a produção e o consumo de produtos e serviços que possam comprometer a saúde da população.

Outro exemplo de parceria no setor está no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), no qual as empresas Natura, Grupo Boticário, TheraSkin Farmacêutica e Yamá Cosméticos uniram-se no Instituto de Tecnologia e Estudos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos para realizar pesquisas nesse campo, uma fronteira tecnológica do setor. O projeto de R$ 2,3 milhões, desenvolvido em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), estuda nanocápsulas de proteção dos princípios ativos de cosméticos. Como resultado, foram desenvolvidas duas rotas de nanoencapsulação que foram utilizadas por cada parceiro, isoladas e sigilosamente, no desenvolvimento de um ativo cosmético focal.

Um caso de sucesso também é fruto do edital Sesi Senai de Inovação 2016. O Instituto Senai de Tecnologias em Alimentos e Bebidas de Goiânia desenvolveu uma pesquisa conjunta com a empresa Alta Cosmética, do grupo Akmos. Foi criado um novo produto que usa ativos naturais provenientes da pimenta para prevenir e reduzir sinais de expressão causados pelo envelhecimento da pele, substituindo componentes sintéticos prejudiciais ao meio ambiente.

A partir dos exemplos citados, fica claro que as empresas de cosméticos já incorporaram a prática da inovação aberta à estratégia, colocando o setor em destaque no cenário internacional. Isso somente foi possível pelo alto grau de capacitação multidisciplinar dos institutos de pesquisas e pelas oportunidades de fomento oferecidas por diversas instituições públicas, que reduzem os riscos das empresas ao apostar no desenvolvimento de produtos e processos inovadores.

 

Do recurso à inovação

A realização de pesquisas no setor de cosméticos é possibilitada pela utilização de instrumentos de fomento disponíveis no Brasil, que buscam estimular pesquisas que transformem o perfil da indústria brasileira. A Embrapii, por exemplo, atua como um parceiro das empresas na etapa de pesquisa e desenvolvimento de produtos, processos e serviços, arcando com parte dos custos dos projetos. Como compartilha os riscos dessas iniciativas com as organizações, a instituição tem o objetivo de estimular o setor industrial a inovar com mais intensidade tecnológica para, assim, potencializar a força competitiva das empresas tanto no mercado nacional como internacional.

Já o edital de Inovação da Indústria, conhecido como Edital Senai Sesi de Inovação, foi lançado em 2004 e até o ano passado aprovou 759 projetos em parceria com 649 indústrias brasileiras e startups de base tecnológica com investimentos de mais de R$ 400 milhões. A grande novidade em 2017 é o contrato firmado com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) que disponibilizará até R$ 20 milhões para a execução de projetos de microempreendedores individuais e micro e pequenas empresas.

Por fim, uma iniciativa publicada em 2015 que pode ter novas chamadas é o Plano de Desenvolvimento e Inovação da Indústria Química (Padiq). Realizado em conjunto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), visa fomentar projetos que contemplem o desenvolvimento tecnológico e o investimento na fabricação de produtos químicos.
Com um total de recursos estimado em R$ 2,2 bilhões para as operações contratadas no período de 2016 a 2017, o Padiq coordena as ações de fomento à inovação e investimentos produtivos, integrando os instrumentos de apoio disponíveis para o financiamento de projetos para a indústria química no país.

Estruturação para captação de recursos para a inovação

Para que a inovação seja um pilar estratégico é necessário que a empresa esteja estruturada. Ao observar como as empresas estão organizadas para captação de recursos para a inovação no Brasil, a equipe da Inventta+bgi, com sua experiência no apoio a diversos setores nesse processo, identificou que as companhias podem ser divididas em três fases de maturidade: (i) Operacional; (ii) Estrutural; (iii) Estratégica.

Essas fases refletem o nível de estruturação das empresas para investirem em inovação com o uso dos instrumentos de apoio do Governo. A maturidade é obtida ao longo do tempo, à medida que a empresa acumula experiência na captação e na gestão estratégica dos recursos financeiros para a inovação. Você pode ler mais sobre o tema no livro Fomento à inovação: Da ideia ao recurso.

 

Fases de maturidade das empresas

 

Ao percorrer essas etapas e alcançar a maturidade na fase estratégica, espera-se que a empresa esteja estruturada o bastante para captar e gerir recursos financeiros destinados à inovação, viabilizando as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para que ocorram de forma contínua e incorporadas ao dia a dia da organização.

No setor de cosméticos no Brasil, percebe-se que diversas empresas já estão na fase estratégica, utilizando as possibilidades oferecidas no mercado para inovar.

Gostaria de estruturar melhor a empresa para captação de recursos mais efetiva para as suas atividades de PD&I? Entre em contato com a Inventta+bgi/ABGI .

 

Autora

bruna-solyBruna Soly é graduada em Direito pela Faculdade de Direito Milton Campos, com especialização em Direito Tributário pela Mesma Faculdade e pós-graduada em Finanças na Fundação Dom Cabral. Atua na gestão estratégica de recursos para inovação, envolvendo-se em projetos de incentivos fiscais, captação de recursos, definição e acompanhamento de indicadores para inovação e estruturação de centros de P&D.

 

 

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