A importância do fomento às empresas de base tecnológica

O fomento às empresas de base tecnológica é importante para gerar inovação e competitividade como estratégia para a promoção do desenvolvimento econômico baseado no conhecimento

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“Como o apoio financeiro concedido às empresas de tecnologia pode contribuir para o desenvolvimento econômico baseado no conhecimento?”, Jamile Sabatini, Diretora de Inovação e Fomento da ABES, desenvolveu um estudo com as empresas associadas da ABES e desenvolveu seu doutorado sobre o fomento às empresas de base tecnológica para alavancar o desenvolvimento baseado no conhecimento. Para entender mais sobre seus estudos, fizemos uma entrevista com a Jamile Sabatini para discutir como as empresas têm usado o fomento à inovação.

 

Na pesquisa que você conduziu com as empresas associadas da ABES em 2016, quais dados encontrou em relação ao entendimento de como as empresas do setor de software têm buscado fomentar a inovação? Quais são os grandes desafios das empresas?

Um desafio muito importante é de se obter taxas mais atrativas para que as empresas sejam mais competitivas. As taxas que os bancos comerciais estão adotando são incompatíveis com os mercados internacionais.

As empresas devem buscar as linhas de financiamentos de bancos de desenvolvimento, os quais tem por missão contribuir com o desenvolvimento econômico. As empresas ainda desconhecem essas fontes de financiamentos.

 

Em seguida, você pesquisou sobre a contribuição do fomento para o desenvolvimento econômico, analisando o Brasil e a Austrália, e você constatou que o desconhecimento sobre fomento à inovação é uma das semelhanças entre os empreendedores brasileiros e australianos. Pode nos apontar as principais semelhanças e diferenças entre o cenário de fomento destes dois países?

O carro chefe na Austrália na forma de se fomentar a inovação é por meio de subsídio fiscal, este tipo de incentivo é uma tendência global, pois é considerado mais democrático, menos burocrático e a palavra do cidadão é de extrema importância. O empreendedor se declara inovador. Na Austrália, não há um banco de desenvolvimento, existem linhas de fomento à inovação com foco em redução de impostos. O Brasil tem uma vasta forma de apoiar a inovação, inclusive com subvenção econômica, programa pouco visto em países membros da OCDE. O Brasil tem as formas e legislação para apoiar a inovação, porém hoje está sendo pouco efetivo, há falta de recursos.

 

Quais são os instrumentos mais utilizados nestes dois países?
Como mencionei antes, na Austrália o instrumento mais utilizado é o incentivo fiscal, chamado de R&D Incentives. No Brasil, o programa de maior sucesso e o mais popular é o cartão BNDES, uma forma simples de se fomentar as empresas, tanto na compra, como na venda.

Também foi apontado na pesquisa que os programas mais populares são os de longo prazo, sem alteração de nome. Os empresários deixam de usar uma linha quando muda de nome, embora necessite do recurso. Este tema é bem relevante, pois uma linha existente não é efetiva por questões políticas de mudança de nome. Este problema foi percebido no Brasil e na Austrália.

Na sua pesquisa, você citou a importância de acrescentar o fomento como mais um importante pilar para promoção do desenvolvimento econômico, além dos quatro pilares: conhecimento, competitividade, criatividade e inovação, apontados pelo pesquisador Dr. Tan Yigitcanlar.

 

Na sua opinião, quais pilares ainda estão mais frágeis no Brasil que poderiam ajudar a superar seus problemas sociais e de desenvolvimento econômico?
A minha tese apontou que para que haja desenvolvimento econômico baseado no conhecimento, é preciso que o ciclo seja; conhecimento, criatividade, fomento, inovação, competitividade.

Quando se tem o conhecimento é possível criar, a partir desta criação de uma ideia/produto é necessário que o empreendedor seja fomentado para que o produto/serviço possa ir ao mercado e aí sim gere uma inovação. As inovações ganham e abrem novos mercados e se tornam mais competitivas, gerando assim o ciclo do desenvolvimento baseado no conhecimento.

 

Qual sua visão para o futuro do fomento à inovação no Brasil?
As políticas públicas e os programas de incentivo devem ser de longa duração, perenes, previsíveis, simples e objetivas, o empresário tem muita insegurança jurídica.

Os incentivos fiscais precisam ser mais simples e ágeis para que mais empresas se utilizem do mesmo e se beneficiem. Poucas empresas se utilizam destes incentivos hoje pela insegurança jurídica.

O Brasil precisa aumentar os incentivos para pesquisa e desenvolvimento, hoje estamos sofrendo cortes nestas áreas. O país investe menos de 1% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento. Este tipo de investimento gera desenvolvimento, traz trabalhado de alto valor agregado.

Precisamos rever as garantias reais, facilitar o acesso ao crédito, descentralizar o fomento por meio de parceiros regionais, dar mais credibilidade para agentes regionais de inovação, os quais conhecem as empresas, os empresários e seus produtos.

Os agentes nacionais também devem trabalhar juntos, de forma mais articulada e complementar, no caso BNDES, Finep, CNPq, demonstrando todos os produtos. O empresário conseguirá visualizar melhor onde ele se encaixa. A pesquisa demonstrou que há uma falta de conhecimento por parte dos empresários quanto as linhas de fomento.

Isto é, o Brasil já tem algo de muito importante, a sua matéria prima, pessoas criativas que empreendem e buscam pelos seus sonhos, precisamos abrir o espaço para que estes empreendedores sejam mais competitivos. Hoje, já existem um movimento e um ecossistema de inovação importante no país, mas é importante que sejam fomentados.

 

A pesquisa completa pode ser acessada pelo link: http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/04/Jamile-Sabatini-Marques.pdf

 

Jamile Sabatini Marques é Diretora de Inovação e Fomento da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software e Presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação da FECOMÉRCIO – Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo de Santa Catarina. Doutora pelo Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC. Mestre em Gestão da Inovação pela École de Mines de St-Étienne (França), especialista em gestão de empresas pela Univali e graduada em Administração com Habilitação em Comércio Exterior pela Faculdade Ibero-Americana de Letras e Ciências Humanas.

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