Presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, fala das expectativas da indústria de autopeças sobre a nova política do setor automotivo, o Rota 2030

O setor espera maior atenção e benefícios no novo programa

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Nesta entrevista, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Dan Ioschpe, fala sobre o novo Programa do Governo para o setor automotivo, o “Rota 2030 – Mobilidade e Logística”, sobre suas expectativas, e ainda faz um balanço dos anos que esteve em vigor o “Inovar-Auto”, que se encerra no fim do ano. O Sindipeças congrega 470 empresas fabricantes de autopeças e, com a chegada do “Rota 2030”, o setor espera maior atenção e benefícios para aumentarem sua competitividade no mercado. Confira agora a entrevista na íntegra.


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  1. Quais foram os impactos do Inovar-Auto na indústria nacional de autopeças? 

O Inovar-Auto sempre esteve focado na questão dos veículos e não nas autopeças. De toda forma, houve avanço tecnológico dos veículos, o que se refletiu nas autopeças.

 

  1. Qual a importância da participação do Sindipeças na construção do Rota 2030 – Mobilidade e Logística? 

O Sindipeças espera poder contribuir com suas visões na construção do Rota 2030, entendendo ao mesmo tempo que esse é um plano do Governo Federal, que envolve a participação de uma série de outras entidades.

 

  1. Quais tipos de incentivos são esperados para a indústria de componentes automotivos? 

De forma específica, à indústria de autopeças caberia mencionar o provável fomento ao desenvolvimento técnico e empresarial das empresas do setor, em especial às PMEs; a possível inclusão das empresas do setor nos incentivos a realização de P&D no Brasil; e a pretendida suspensão de determinados impostos federais na cadeia automotiva.

 

  1. Com o Rota 2030, noticia-se uma simplificação no recolhimento de impostos, sendo esses pagos pelo elo final da cadeia automotiva. Do ponto de vista dos fornecedores, quais os benefícios e os entraves para essa reestruturação? 

O benefício seria a simplificação da administração do assunto tributário e a não antecipação de impostos quando das compras, reduzindo o capital de giro. Não vemos entraves, por não haver redução da carga tributária e pela simplificação da arrecadação e controle pelo fisco.

 

  1. Os associados almejam por uma linha de financiamento exclusiva? E quais características são fundamentais para que seja atrativa? 

Entendemos que o fomento e a difusão das linhas existentes é o que deve prevalecer.

 

  1. Com o Rota 2030, pode-se esperar a nacionalização de tecnologias de segurança veicular já difundidas em mercados desenvolvidos? E com relação à conectividade e mobilidade, espera-se por uma evolução significativa? 

Espera-se que a evolução do mercado e da demanda por essas tecnologias, associada ao Rota 2030 e a própria inserção do Brasil em acordos comerciais de maior relevância, resultem nesse avanço.

 

  1. Como as empresas estão se preparando para alcançar a competitividade sistêmica necessária para tornar a indústria nacional fornecedora global, ampliando as fronteiras de atuação além da América Latina? As pequenas e médias empresas estão preparadas para atender essas exigências? 

As indústrias de autopeças têm trabalhado de forma constante ao longo de décadas para aumentar a sua competitividade. Os problemas horizontais do País, que reduzem a competitividade sistêmica, terão de continuar sendo atacados ao longo do tempo, de forma horizontal e constante.

 

  1. Mercados importantes, como China, Alemanha e França, já anunciaram uma data para o fim da comercialização de veículos com motores de combustão interna. Qual o caminho a ser traçado pela indústria nacional para o desenvolvimento e a produção de componentes para veículos elétricos e híbridos?

Considerando-se o contexto do Rota 2030 e da inserção do Brasil em acordos comerciais internacionais de maior relevância, a indústria deve buscar a aproximação, ao longo do tempo, com essas novas tendências e tecnologias, buscando ao mesmo tempo difundir atributos e desenvolvimentos locais, como no caso do etanol.

 

Dan Ioschpe é formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Pós-Graduação pela ESPM-SP e MBA pela Amos Tuck School do Dartmouth College. Ingressou na Companhia em 1986, onde exerceu vários cargos até junho de 1996, quando saiu para assumir a Presidência da AGCO no Brasil. Retornou à Companhia em janeiro de 1998, assumindo no mesmo ano a Presidência. Em abril de 2014 deixou a Presidência da Companhia assumindo a Presidência do seu Conselho de Administração. É membro do Conselho de Administração da WEG, Profarma e Cosan, Presidente do Conselho de Administração do Sindipeças e Presidente do Fórum das Empresas Transnacionais Brasileiras (FET).

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