Estamos preparando um novo site, enquanto isso, leia mais sobre a nova marca.

Entrevista: Alberto Portugal fala sobre Inovação em Minas Gerais

Entrevista com Alberto Duque Portugal que desde janeiro de 2007, ocupa o cargo de Secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais.

Compartilhe:


Alberto Duque Portugal tem uma trajetória profissional ligada intimamente à inovação. Engenheiro agrônomo exerceu o cargo de pesquisador desde 1973, tornando-se diretor técnico da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – a Epamig – e posteriormente da Embrapa, aonde chegou ao cargo de diretor-presidente.

Desde janeiro de 2007, ocupa o cargo de Secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. Portugal conhece como ninguém os desafios que cercam a pesquisa brasileira em seu caminho para converter-se em desenvolvimento econômico e social. Ele fala sobre o tema em uma entrevista concedida exclusivamente ao Instituto Inovação.

Qual a visão de Minas para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e  Inovação no estado?

A visão de governo integrado do programa do Governo de Minas apresenta um claro diagnóstico de que a economia mineira tem um grande desafio em termos de agregação de valor. Percebe-se na orientação dada pelo governador Aécio Neves que as áreas de ciência, tecnologia, inovação e educação são fundamentais para que Minas rompa essa dificuldade, trazendo mais emprego, renda e riqueza para a sociedade. E isso é parte do caminho para chegarmos à grande visão de tornar Minas o melhor estado para se viver.

Quais as principais ações que a SECTES vem executando para realizar esta visão?

Essa visão tem sido traduzida na prática através de diversas medidas. Podemos ver entre as 11 áreas do programa do Governo de Minas, que a quinta área é a de Inovação e Tecnologia, que fica depois de Educação, Saúde, Segurança e Desenvolvimento Social. É a primeira vez que vejo um governo estabelecer esse nível de prioridade estratégica na ciência e tecnologia, trazendo a secretaria para o que eu chamo de “núcleo duro” do governo o que fortaclece a formação e qualificação da nossa equipe.

Também é a primeira vez que 1% dos recursos do estado vai efetivamente para a FAPEMIG, cumprindo a constituição. Em 4 anos, serão recursos da ordem de R$ 800 milhões de reais. Isso é dinheiro direto para investimento em ciência, tecnologia e inovação. Essa é a forma efetiva de apoiar a pesquisa. E esse recurso pode alavancar outros do Governo Federal e de parceiros internacionais, o que pode levar a um investimento no Estado acima de R$ 1,5 bilhão.

Outra ação de grande destaque é a criação do Sistema Mineiro de Inovação, o SIMI, que para mim, tem dois aspectos fundamentais. Um deles é o compromisso institucional do governo em criar um Fórum de Inovação, em que o próprio governador é o presidente, o que mostra o alto nível de compromisso do governo com essa questão. O outro é o de que o SIMI está se configurando como um instrumento efetivo na integração dos agentes que atuam na cadeia da inovação, conhecimento e tecnologia.

O Sistema Mineiro de Inovação é uma das novas ações da SECTES nesse contexto. Qual a importância dessa iniciativa?

O SIMI é um projeto ambicioso, que se consolida agora através de um projeto estruturador, que é a Rede Mineira de Inovação Tecnológica, com um conjunto de ações extremamente importantes. Ele trabalha com as questões dos parques tecnológicos e incubadoras, em que Minas é um exemplo para o país. Trabalha também com programas de incentivo à inovação em diferentes universidades, onde a parceria do Instituto Inovação tem um papel importante. Abre perspectivas na relação universidade-empresa, fazendo a aproximação das demandas do setor privado ao da academia , e de outro lado, procurando tirar da bancada do pesquisador aquele protótipo que já está avançado e pode se caracterizar como uma patente e assim, ser levado ao setor privado.

O trabalho que o SIMI procura fazer é de fundamental importância. Dentro da Rede de Inovãção Tecnológica nós temos a proposta dos pólos de excelência e dos pólos de inovação que estão avançando a uma velocidade muito grande, portanto é um sistema extremamente amplo. Eu tenho advogado muito pelas redes sociais, que são mecanismos cada vez mais usados pela sociedade. Pessoalmente, acredito ser um dos mecanismos mais importantes na formação de opinião destas sociedades. Tenho uma expectativa enorme de que o SIMI será um instrumento de aceleração desse processo de inovação dentro de Minas Gerais.

A Lei Mineira de Inovação está sendo discutida pela Assembléia Legislativa nesse momento. Como ela favorece o avanço da inovação em Minas?

Há que se destacar o ambiente institucional que, através da Lei Mineira de Inovação, que já foi para a Assembléia, agora abre espaço para a subvenção econômica direta a empresas, incentivando-as a gerar inovação e criar centros de pesquisa e desenvolvimento. A Lei de Inovação Federal, que vem sendo discutida desde o governo anterior e agora se coloca para nós, precisa ser aprimorada pelos estados. Minas está fazendo isso de maneira ousada, não só aprimorando o que a lei federal já coloca, como criando as condições para termos um arcabouço legal que realmente favoreça o avanço da ciência e tecnologia no estado.

Como o senhor avalia o papel do Instituto Inovação como parceiro da SECTES no desenvolvimento de políticas pró-inovação em Minas Gerais?

O Instituto Inovação foi para mim  uma grata surpresa, que orgulha os mineiros que trabalham nesse segmento. Quando fui trabalhar em São Paulo, na montagem da agência de inovação Inova, da Unicamp, participei de seus primeiros passos, me afastando um tempo depois. Na época em que eu estava saindo de lá, o Instituto Inovação estava chegando e não tive a oportunidade de conhecê-lo. Tempos depois, ouvi da direção da Inova que eles estavam trabalhando com um excelente instituto mineiro. Ao chegar aqui  fui apresentado ao Instituto Inovação, e liguei os fatos. Eu realmente tive orgulho de ser mineiro ao constatar que temos aqui uma organização como o Instituto Inovação, fazendo um trabalho de vanguarda, e por parte do setor privado, o que é ainda mais inovador.

Esse trabalho de aproximação da academia com o setor privado, no sentido de fazer com que a inovação ocorra na prática, cumpre um papel estratégico, fundamental. Abre um caminho e uma nova oportunidade para inúmeros profissionais de P&D no Brasil, que precisam da ousadia de seguir essa trilha. Experiências que o Instituto Inovação faz, trabalhando com instituições âncora, e com um portifólio respeitável, cria condições e mecanismos para a inovação, em linha com a tendência da colaboração em massa.

Nós falávamos há pouco do livro Wikinomics, que trata muito bem dessa questão. Acho que o Instituto Inovação trabalha nesta lógica, porque ele não está fechado em si mesmo e não está preocupado em fechar para ele o conhecimento e a experiência adquirida. Ele está abrindo essa experiência, e abre esse jogo com muita tranqüilidade, mostrando que há espaço para todos que têm competência e queiram trabalhar. Acredito que seja algo extremamente positivo e que contará sempre com nosso apoio total.


Posts Relacionados


Comentários

Ir para o topo

Contato

Tem alguma dúvida? Estamos aqui para ajudar!

Entre em contato