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Estratégias de inovação da Finep

Entrevista exclusiva com Newton Kenji Hamatsu, Superintendente de Inovação na Finep

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Realizamos uma entrevista exclusiva com Newton Kenji Hamatsu, Superintendente de Inovação na Finep, que nos contou algumas estratégias de inovação da Finep diante do novo cenário em que o País se encontra e um pouco sobre os programas disponíveis.

Veja como a Finep pode apoiar a sua organização.

Quais são as perspectivas da Finep para o sistema brasileiro de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)?

O MCTIC tem buscado uma melhor coordenação das atividades de CT&I no Brasil, e também ampliar os recursos disponibilizados. A aprovação da Lei de Informática no final do ano de 2019, por exemplo, traz a perspectiva de novos recursos ao sistema. Outra diretriz importante é a atração de recursos privados, como via a criação de fundos patrimoniais e endowments para Ciência, Tecnologia e Inovação.

Ressalto ainda o esforço do MCTIC para garantir novos recursos e o desenvolvimento de pesquisas relevantes no contexto do Coronavírus.

Dentro da estratégia de inovação da Finep, orientadas por missão, quais seriam os desafios sociais prioritários para 2020?

A atuação orientada a missão tem sido cada vez mais usada mundo afora, e cada vez de maneira mais explícita. A Alemanha, por exemplo, adota o Energiewende, mobilizando milhões (até bilhões) de euros todos os anos para esta iniciativa, com mobilização de recursos desde a ciência básica em universidades, recursos para startups, médias e grandes empresas. Dentro desta política, há metas claras relativas à redução de emissão de carbono e, também, a participação de cada fonte na matriz energética do País.

Outros países têm seguido este caminho. O Reino Unido é outro país cuja atuação em C,T&I tem sido pautada em grandes missões e desafios. São 5 missões já estabelecidas pelo aquele país, em temas como saúde, eficiência energética, meio ambiente, entre outras. Essas cinco missões mobilizam mais de £ 4 bilhões em recursos, especialmente públicos, inclusive outros países têm adotados políticas semelhantes. Até a União Europeia tem defendido explicitamente que os países membros adotem essas políticas.

Como são políticas grandiosas, demandam muita pesquisa e articulação para a definição das missões, e também demandam elevados volumes de recursos para a sua implementação.

Em relação ao cenário brasileiro, a Finep tem articulado com o MCTIC alguns desses desafios focando em ações que possam gerar riquezas, produzir conhecimento e aumentar a qualidade de vida da população. Mas certamente são ações complexas e que demandam grande grau de coordenação com o Governo e a Sociedade.

O apoio às startups tem ganhado espaço dentro da Finep, principalmente com o advento do programa FINEP Startup, já em sua terceira edição. Como avalia os resultados deste programa para o ecossistema de inovação do Brasil? 

O Finep Startup é um programa que tem crescido ano a ano, e que traz importantes resultados, tanto para as empresas apoiadas como para o segmento de investimento (especialmente o investimento-anjo). O programa é baseado na experiência de algumas aceleradoras norte-americanas, que investiam em mais empresas (via mecanismo de opção de compra – sem necessidade de valuation no momento do investimento), e de maneira mais ágil. Essas aceleradoras (e no caso a Finep) só viram sócias das empresas bem-sucedidas.

Primeiramente, empresas startups com tecnologias já desenvolvidas e que necessitam de mais recursos para seu desenvolvimento conseguem ser financiadas. Veja que quando montamos o programa, havia um gap, pois havia muitos programas voltados para as etapas iniciais do desenvolvimento de uma startup (ex: Inovativa e Startup Brasil), e recursos disponíveis via Fundos para etapas mais avançadas (quando a empresa necessita de mais de R$ 5 milhões, por exemplo), mas havia uma lacuna exatamente para esta fase de R$ 1 milhão.

Por esse motivo, nós da Finep e o próprio mercado consideramos que o programa tem sido bem-sucedido em financiar o desenvolvimento e a expansão dessas empresas com esse patamar de recursos. Até o momento, mais de 50 startups já foram recomendadas para investimento (número que está aumentando progressivamente). Importante frisar que grande parte dessas empresas conseguiu atrair investimentos-anjo, sendo que hoje, mais de 20 das startups selecionadas são ligadas diretamente a temas 4.0, como IoT, IA, Manufatura Avançada, Realidades Virtuais e Cidades Inteligentes.

Esta é outra importância do programa: ligar startups com investidores. Este é um desejo do governo como um todo (promover mais investimentos privados), e estamos sendo bem-sucedidos nisso, pois praticamente todas as startups apoiadas conseguiram atrair recursos privados no momento do investimento da Finep.

Isso também acaba sendo positivo para a Finep, pois nos dá uma garantia adicional de que o investimento tem potencial, pois caso contrário, o agente privado não investiria.

No 3º edital, recém lançado, o valor do aporte da Finep foi atualizado, de R$ 1 milhão para R$ 1,2 milhão.

Ressalto, também, os programas Finep Centelha e Finep Tecnova que aportam recursos de subvenção (recursos públicos não reembolsáveis) para o desenvolvimento inicial de pequenos negócios inovadores, seguindo experiências bem-sucedidas em países como EUA e Alemanha.

Agora focando em médias e grandes empresas, quais seriam os principais instrumentos de apoio a inovação? E quais as condições podemos destacar?

Em relação ao apoio por meio do crédito, apoiamos projetos de inovação, e oferecemos condições mais atrativas, tanto em termos de taxa como de prazos, para os projetos que possuam maior grau de inovação e também maior potencial de geração de impactos para a economia e para a sociedade.

Temos uma matriz de enquadramento dos projetos, que nos permite com critérios objetivos e de maneira célere enquadrar o projeto em uma das linhas de apoio da Finep. Dessa forma, projetos mais inovadores, como uma inovação em nível mundial, e projetos com maior impacto econômico, social e ambiental, são premiados com melhores condições de apoio, e também com maiores prazos de carência e de pagamento.

Utilizamos esta métrica no Crédito Direto. Temos condições de apoio a partir de TJLP – 0,5% (Inovação Crítica) ou TJLP + 0,5% (Inovação Pioneira). Nos casos de o projeto consistir no desenvolvimento ou na aplicação de tecnologias IoT, ou tecnologias para a Educação, há um redutor de 1% na taxa. O mesmo ocorre quando há conexão ICT-Empresa no projeto.

Outra boa oportunidade de recursos de crédito atualmente está nos projetos aderentes ao Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações). São aderentes nesta linha inovações para Telecom, diversos projetos de soluções para IoT, semicondutores, sistemas e equipamentos voltados para conectividade, dentre outros. Neste caso, a taxa é TR + 2,8% ou TR + 3,5%, a depender da garantia do projeto, e independentemente do grau de inovação do projeto. Os prazos de pagamento chegam a até 20 anos. Acredito que não haja melhores condições de apoio hoje no Brasil.

Além disso, temos também nossa linha de crédito indireto, o Finep Inovacred, mais voltada para micro, pequenas e médias empresas. O Inovacred é um programa muito bem-sucedido. Desde 2013, foram mais de 630 projetos apoiados, em todas as regiões do País. Hoje temos uma rede de 21 parceiros regionais, como BRDE, BDMG, AgeRio, Badesul, Desenbahia e Fomento Paraná, que fazem o repasse dos recursos. São boas condições de crédito, com taxas a partir de TJLP, e com até 11 anos de pagamento (a depender da linha e do porte da empresa). Temos vários exemplos de projetos bem-sucedidos no programa, muitas empresas que começaram a exportar depois do apoio, multiplicaram a receita. Tudo isso graças a seus esforços de inovação, e também ao apoio do programa.

Dentro do Inovacred, uma das tendências é a simplificação de processos como forma a tornar mais ágil e fácil o processo. Assim, em 2019 trouxemos o Finep Inovacred 4.0, programa em que credenciamos as ofertas de soluções 4.0 (credenciamos a empresa ofertante – que chamamos de integradora; e também seu serviço associado), e depois financiamos de maneira mais célere o projeto. Até o momento já são 11 integradoras credenciadas. Pretendemos chegar em pelo menos 25 integradoras até o final do ano.

Além disso, os resultados do crédito da Finep são positivos. Pesquisa do IPEA (final de 2018) mostra que empresas apoiadas via recursos de crédito da Finep investem 76% a mais em P&D do que empresas similares (em termos de porte, setor, lucratividade). Ou seja, o crédito Finep é uma poderosa ferramenta para o estímulo à pesquisa e inovação no Brasil.

Em média em quanto tempo as empresas conseguem captar os recursos desejáveis, considerando o processo de apresentação do projeto e da análise do crédito?

A Finep tem trabalhado muito na melhoria de todos os seus processos internos para tornar a experiência de seu público a melhor possível, e com isso melhor conseguir apoiar a inovação do país. No ano passado iniciamos a operação em um novo sistema de análise e acompanhamento dos projetos reembolsáveis, que já tem trazido melhorias significativas de prazos.

Como resultado, temos conseguido aprovar projetos em prazos abaixo de 90 dias (desde a entrada até a contratação pela empresa). Assinamos um contrato recentemente com uma empresa fornecedora de equipamentos de Telecom, em que todo o processo (entrada até a assinatura) durou cerca de 60 dias. Isso mostra como a Finep vem atuando de forma sistemática e contínua com o objetivo de ser mais eficiente de modo a atender o empresário que tenha vocação para investir em inovação no menor tempo possível.

Para estes prazos, o fator fundamental acaba sendo a agilidade da empresa em nos fornecer as informações necessárias para a análise e contratação do projeto. Esperamos que prazos reduzidos assim sejam a tendência a partir de agora.

Quais as principais dificuldades as empresas encontram ao iniciar e ao longo do processo? Quais as boas práticas você destacaria para as empresas que desejam captar recursos para a inovação junto a Finep?

Explicando um pouco melhor o nosso processo, a partir do momento em que o cliente nos envia o projeto pela plataforma, fazemos o enquadramento da proposta em cerca de 30 dias (isso significa que dizemos se o projeto foi aprovado, e em caso positivo, com quais condições de apoio, e qual será a garantia do financiamento). A partir deste momento, o cliente nos encaminha a documentação jurídica e a documentação relativa à composição de garantias, e, então, assinamos o contrato.

Em relação às principais dificuldades, destaco que como trabalhamos com recursos públicos subsidiados, são necessárias informações que possam subsidiar as devidas análises de mérito, jurídicas e de crédito da operação. Por isso, algumas vezes são necessárias informações em mais áreas da empresa, como informações financeiras, informações sobre funcionários alocados em atividades de P&D, informações jurídicas, entre outras. Isso pode ser mais difícil para algumas empresas.

Mas claro, ficamos sempre à disposição para auxiliar os clientes em suas eventuais dúvidas e para auxiliá-los em todo o processo.

Sobre Newton

Newton Hamatsu atua nos temas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), Energias Renováveis e Crédito Descentralizado para micro, pequenas e médias empresas. É doutorando em Economia da Indústria e da Tecnologia (UFRJ), mestre em Teoria Econômica (Unicamp) e graduado em Relações Internacionais (USP).

É membro do Conselho Curador do CPQd, e representante no Conselho Superior da Câmara Brasileira da Indústria 4.0. Foi Chefe da Assessoria de Captação de Recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Assessor da Diretoria Executiva e da Presidência da Finep. Tem experiência no setor privado em áreas financeiras de empresas como Banco Santander, Upside Finanças Corporativas e T4F.


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