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A interface entre práticas ESG e estratégias de inovação

Quais são as demandas das empresas em implementar de maneira efetiva as práticas do ESG?

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No último artigo da série ESG, abrimos o conceito destas práticas e como elas impactam o novo modelo de capitalismo que se instaura no mundo. Caso você não tenha conferido, sugiro que leia aqui.

Uma vez contextualizado, precisamos entender então quais são as demandas das empresas em implementar de maneira efetiva as práticas do ESG em suas companhias. Assim, este artigo traz uma contextualização sobre os desafios de implementação e como fontes de fomento à inovação e impacto podem catalisar este processo no país.

Como já descrito no artigo de conceitos de ESG, o ponto de governança é o principal fator que rege a implementação das outras duas frentes. Há um desafio em todos os setores da indústria em criar métricas de gestão corporativa e transparência que evidenciem resultados da evolução da empresa nos temas ética, ações anticorrupção e independência de conselho. Sendo o último talvez o mais fácil de ser provado. 

Apenas recentemente foram baixadas diretrizes internacionais que convergem no controle das práticas ESG e, assim, o mercado ainda corre para se alinhar a esta unificação. Existem alguns combinados de práticas e diferentes certificações, porém para o mercado financeiro, cada player pode olhar para um pacote de atividades dentro de uma certificação específica e assim, se torna um desafio para as empresas identificar o que realmente é relevante em termos sociais e de governança para serem considerada aderentes às práticas ESG. 

Outro ponto desafiador para as empresas do ramo é a conexão entre as três frentes. Um projeto de redução de impacto ambiental para redução de rejeitos de barragens impacta diretamente no fator social, uma vez que os resíduos podem afetar comunidades nativas. Assim, ainda há incoerências em empresas que não conseguem enxergar estas iniciativas como integradas.  

Ainda há o fato de que todo projeto, seja ele social ou de governança, precisa ter métricas claras e quantitativas de sucesso. Esse ainda é o principal desafio da implementação destes processos. Há uma dificuldade em enxergar quais métricas de sucesso dentro de um processo ESG são realmente quantitativamente mensuráveis, uma vez que estas práticas também se apresentam em caráter preventivo. 

Outro desafio dos setores é como metrificar a rentabilização destas práticas. A estimativa é que em 2025 o setor ESG valha globalmente US$ 53 trilhões de dólares. Ainda assim, no Brasil há uma dificuldade em calcular contabilmente o ROI (retorno sobre o investimento) das atividades em ESG. Várias métricas qualitativas estão sendo atingidas recorrentemente no restante do mundo, porém, no Brasil, ainda há falhas em demonstrar o retorno desses investimentos. Com essa dificuldade as áreas de sustentabilidade ou ESG tem dificuldades em conseguir adesão da alta liderança das indústrias para o tema o que impacta no principal fator em ESG. A governança.  

No que diz respeito ao fator Social das práticas, há um movimento na geração do crescimento da comunidade e de maneira a impactar cada vez menos comunidades residentes. Fora isso, o uso de práticas da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) para proteção de dados relevantes dos stakeholders aparece como uma grande demanda do setor minerador, por exemplo, tendo em vista que o Brasil é um dos maiores exportadores de minérios do mundo. Seguindo com o exemplo da mineração, como o setor é predominantemente masculino, há também um movimento de inserção das mulheres em plantas principalmente em cargos de liderança. A proporção aproximada é de 10% de mulheres empregadas em todo o setor e em cargos de liderança, apenas de 30 %, figurando entre os três piores setores neste quesito, segundo pesquisa da ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração). No setor, apenas 22% das empresas hoje tem estruturada uma política para equidade de gênero em seu corpo de colaboradores e o mesmo se diz para causas LGBTQIA+ sendo essa então uma grande tendência para o setor na área social. 

ESG E INOVAÇÃO

O ESG deve ser compreendido pelas empresas como um processo de desenvolvimento, e não como algo binário ou excludente, tão pouco como um custo. Esse processo é melhor definido como uma jornada em que as empresas passam por uma evolução, a fim de atenderem aos pré-requisitos hoje demandados pelo mercado. Empresas com foco em sustentabilidade estão mais bem preparadas para lidar com as mudanças nos padrões de produção e consumo, utilizando de maneira mais eficiente os recursos e amenizando os impactos negativos de seus produtos e serviços no meio ambiente. Dessa forma, faz-se necessário que as empresas definam métricas para auxiliar no acompanhamento dos negócios e na sua evolução, e isso passa diretamente por sua estratégia de inovação.

A inovação é uma grande aliada na sustentabilidade dos negócios e deve estar diretamente relacionada a metas e objetivos definidos pela empresa como sua contribuição para o ambiente e para o social. A inovação ocorre de maneira mais eficiente em empresas com um ambiente diverso, que têm um relacionamento próximo com seus stakeholders e priorizam iniciativas que visem o longo prazo. Essas características fazem com que, normalmente, essas empresas inovadoras tenham também um alto padrão ESG.

Os investimentos em inovação com viés ESG podem trazer muitas vantagens para empresa, como diferencial competitivo, redução de custos, relacionamento mais próximo com o cliente, novos negócios e ampliação de mercado. Quando uma empresa de seguros de saúde contrata uma startup que oferece soluções de prevenção em saúde mental, podemos enxergar a ação como uma estratégia de redução de custos para a própria seguradora (investindo em prevenção, ao invés de ter despesas com sinistros) e como uma estratégia de retenção e fidelização de seus clientes, com benefícios que trazem um diferencial competitivo perante outras seguradoras. Ao mesmo tempo, o Brasil é o país com a maior taxa de ansiedade no mundo inteiro, segundo a OMS, e oferecer soluções como estas contribui positivamente para este grande desafio social do país.

Outro exemplo é de uma empresa que vende sabonetes para bebês. A empresa pode contratar soluções de startups com programas focados na orientação de pais e mães no cuidado das crianças, em uma campanha na qual, ao comprar o produto, o cliente pode aderir ao programa. Uma ação como essa pode ser muito estratégica para a área de novos negócios, com maior retenção e fidelização de seus clientes por meio de um relacionamento contínuo e de médio prazo, ao mesmo tempo que contribui com a causa da Primeira Infância.

Dentro do viés de novos negócios, podem ser destacadas inovações para a inclusão de grupos tipicamente excluídos, como é o caso das pessoas com deficiência. Quando uma marca ou uma empresa investe no desenvolvimento de uma solução como ter um site acessível para pessoas surdas, por exemplo, elas não estão apenas incluindo essas pessoas, elas estão também ampliando seu mercado, pois milhões de novas pessoas agora poderão começar a consumir seus serviços.

A estratégia de inovação de uma empresa é a abordagem adotada para a escolha de objetivos, métodos e formas de utilizar e desenvolver o seu potencial inovador. Nesse contexto, diversas iniciativas que colocam uma empresa alinhada ao desenvolvimento sustentável podem ser destacadas:

Programa de Intra-empreendedorismo

Os programas de intra-empreendedorismo são práticas comuns de inovação com foco no treinamento e capacitação dos colaboradores e desenvolvimento de novas ideias. Esses programas treinam os colaboradores para o desenvolvimento de proatividade, capacidade inovadora, soft skills, dentre outros e também contribuem para o desenvolvimento de novas soluções inovadoras, sendo essas produtos e/ou serviços. Em muitos casos, os colaboradores que estão na ponta da operação são capazes de contribuir como visões de possíveis negócios muitas vezes ainda ocultos para a alta gestão. Nos casos em que os programas contam com o desenvolvimento de soluções para problemas internos, os programas podem contribuir para o aumento da segurança, saúde e bem estar dos colaboradores e redução dos impactos negativos ao meio ambiente.

Programa de Inovação

Os programas de inovação são iniciativas internas de capacitação, treinamento e geração de material tático e estratégico com foco na alta gestão e time de P&D. O desenvolvimento da habilidade de visão de futuro para gerentes, diretores e gestores do P&D impactará diretamente a geração de novos produtos/serviços na empresa, desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis, aumento da performance financeira da empresa e melhoria das condições e qualidade do trabalho. Dessa forma, diversos indicadores de sustentabilidade podem ser diretamente como: 1) qualidade do corpo diretivo, 2) supervisão de riscos e oportunidades, 3) mudanças climáticas, 4) empregabilidade e geração de riqueza, 5) inovação e melhores produtos e serviços, 6) saúde e bem estar, e 7) habilidades do futuro.

Inovação Aberta

Os programas de inovação aberta envolvem a realização de parcerias com startups para o desenvolvimento conjunto ou a completa terceirização do desenvolvimento de um projeto. Essas iniciativas de inovação podem contribuir com a geração de soluções inovadoras disruptivas para o mercado, otimização de processos produtivos da indústria e tecnologias que permitem a redução, por exemplo, de impactos ambientais, ou possibilitam a solução de problemas urgentes na sociedade. Algumas startups apresentam soluções que envolvem a melhoria da segurança no trabalho e soluções para combater a corrupção dentro da organização, além, é claro, da possibilidade de geração de novos negócios ou ampliação de mercado.

Participação em Ecossistemas Temáticos

A participação em ecossistemas temáticos de inovação também merece atenção e reconhecimento da sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. De acordo com as definições trazidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI) consideram-se AMBIENTES DE INOVAÇÃO: espaços propícios à inovação e ao empreendedorismo, constituindo ambientes característicos da nova economia baseada no conhecimento, articulando empresas, diferentes níveis de governo, Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovações (ICTs), agências de fomento e a sociedade. Existem movimentos no mundo inteiro com temas de inovação na mineração (MININGHUB, AMIRA e CEMI), em tecnologias limpas (CLEANTECH MOVEMENT), em inovações para o bem estar (CARETECH MOVEMENT), dentre outras. Todos esses movimentos contribuem para o alinhamento e aumento da colaboração entre as empresas para geração de soluções inovadoras e sustentáveis.

Fomento da Inovação ESG no Brasil

A transição para uma economia de impacto tem ganhado amplo apoio do mundo corporativo, mas as questões envolvendo o financiamento dos projetos ainda permanece um desafio. Para alguns setores, descarbonizar operações pode significar a completa reestruturação das cadeias de valor, o que demanda investimentos substanciais.

A necessidade de mobilizar recursos para projetos complexos joga luz sobre a atuação dos grandes financiadores de longo prazo no Brasil: os bancos de desenvolvimento. De uns tempos para cá, essas instituições têm reforçado suas agendas sustentáveis, ampliando incentivos para iniciativas de impacto socioambiental e vinculando o crédito a critérios ESG.

Um dos bancos que vêm buscando protagonismo nesse cenário é o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais). Mais de 60% dos financiamentos feitos pela instituição em 2021 foram vinculados a algum dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os recursos destinados a projetos de energias renováveis, por exemplo, chegaram a R$ 169 milhões. Por meio do Programa BDMG Sustentabilidade, o banco financia projetos de energia fotovoltaica; Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH); Centrais de Geração Hidrelétrica (GCH); projetos de iluminação pública sustentável; e projetos de eficiência energética.

Recentemente, o BDMG deu outro passo na transição para um portfólio de investimentos mais verde. Durante a COP26, a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, o banco firmou o compromisso de não financiar projetos que envolvam extração, comercialização e transporte de combustíveis fósseis a partir de 2023.

Outro banco que se destaca no financiamento de iniciativas ESG é o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O banco possui atualmente duas oportunidades de financiamento voltadas para temas ESG: 1) BNDES | FINEM MEIO AMBIENTE – PLANEJAMENTO E GESTÃO, voltado para o financiamento de projetos que contribuam para o aumento da capacidade das empresas em reduzir e mitigar riscos ambientais. Podem ser financiados os empreendimentos voltados para sistemas de gestão ambiental ou integrada; capacitação do corpo técnico das empresas e constituição de unidade organizacional dedicada às questões ambientais; certificações ambientais; estudos de impacto ambiental e respectivas ações indicadas visando a prevenir ou mitigar os impactos ambientais.

Os projetos financiados por esse programa devem possuir valor mínimo de R$ 40 milhões; 2) BNDES | FINEM MEIO AMBIENTE – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, voltado para o financiamento para projetos voltados à redução do consumo de energia e aumento da eficiência do sistema energético nacional. Podem ser financiados os empreendimentos voltados para eficientização energética de edificações, com foco em condicionamento de ar, iluminação, envoltória e geração distribuída, incluindo cogeração, para unidades novas ou já existentes (retrofit); iluminação pública; eficientização energética de processos produtivos, com foco em cogeração, aproveitamento de gases de processo como fonte energética e outras intervenções priorizadas pelo BNDES; repotenciação de usinas; redes elétricas inteligentes. O valor mínimo para financiamento nesse caso é de R$ 20 milhões.

Ainda dentro do universo de fontes de recurso reembolsáveis, destaca-se, como exemplo, a emissão de títulos verdes – Green Bonds. Títulos Verdes, são similares aos títulos de dívida comuns, com a diferença essencial de que só podem ser usados para financiar investimentos considerados sustentáveis – como infraestrutura de energia limpa e renovável, transporte verde e projetos capazes de reduzir emissões e o consumo de água, energia e matérias-primas. Os Green Bonds são uma forma das empresas captarem recursos no mercado de capitais para financiar seus projetos sustentáveis. São uma alternativa de investimento a longo prazo que contribui para o futuro do planeta, importantes para estimular o desenvolvimento sustentável e direcionar recursos para a mitigação de mudanças climáticas.

A ABGI no Brasil, com sua expertise no tema desenvolve então um mapa de fomento onde se compilam todas as oportunidades de fomento a nível nacional para todos os setores da indústria. As oportunidades são assinaladas quando aderentes às temáticas ESG e uma outra forma de consulta é através do portal Geri, gratuito para os nossos clientes. O material de acesso público pode ser consultado no link. Consulte para sua empresa as oportunidades no Brasil e no exterior e para maiores informações sobre serviços voltados à adequação às práticas ESG nosso time de especialistas está à disposição.


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