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Embrapii: menos burocracia, mais acesso aos recursos

Modelo de negociação da instituição contribui para que as empresas voltem a investir em projetos de inovação em tempos de crise

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embrapii

A crise econômica pela qual o Brasil passa tem deixado as empresas em estado de alerta. Algumas colocaram o pé no freio, pararam os investimentos e esperam a situação melhorar. Outras estão aproveitando a fase e encarando o momento adverso como oportunidade, sobretudo de investir em inovação. Nesse cenário, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) tem papel importante já que atua como um parceiro da empresa na etapa de pesquisa e desenvolvimento de produtos, processos e serviços, arcando com parte dos custos do projeto.

Jorge Almeida Guimarães, diretor-presidente da instituição, explica que as empresas que desejam acessar o recurso da Embrapii não precisam entrar em processo de concorrência por meio de chamada pública e contam com o apoio de uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT) especializada. O processo para fechamento do contrato é rápido e a liberação do recurso costuma ser imediata, tão logo a documentação seja assinada.

“A Embrapii está ocupando um espaço que estava em aberto. Muitas empresas não têm centro de pesquisa próprio e há mais de seis décadas, as agências e o governo investiram muito em profissionais qualificados em seus quadros. Esses fatores precisam trabalhar em conjunto. A Embrapii surge para fazer essa ponte entre as instituições selecionadas e as empresas”, ressalta.

 

A seguir você confere a entrevista completa com Jorge Guimarães.

 

Por que as empresas ainda acessam pouco os recursos voltados para a inovação, considerando as vantagens que existem?

Muitas empresas só percebem a necessidade de inovar quando sentem os sinais da globalização e da competitividade nacional ou internacional. Infelizmente, elas ainda falham por esperar tanto tempo. Para criar um centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) o custo é alto e demanda equipe especializada, bem como a estrutura adequada. Ao utilizar a estrutura da ICT não existe esse custo e a empresa conta com todo um aparato de vantagens, por isso vale a pena acessar os recursos por meio da Embrapii.

 

Quais são os diferenciais encontrados na estrutura da Embrapii?

Muitos são os diferenciais da Embrapii e é por isso que o modelo da instituição está crescendo tão rápido. Nós já temos cerca de 100 empresas de grande porte, nacionais e internacionais, em 28 unidades e a competição é grande para ser uma unidade. Na última competição foram 110 candidaturas para selecionar dez instituições, entre elas a UFMG foi uma das escolhidas. Portanto, há demanda das unidades e também dos pesquisadores para não ficarem apenas em pesquisas de suas competências. O nosso trabalho é selecionar os grupos e dizer que agora podem negociar com as empresas, de maneira livre e direta. Confira abaixo, o mapa destacando todas as unidades e suas competências.

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Considerando o contexto atual do país, em que a inovação precisa ser considerada um item prioritário para alavancar o setor industrial, quais os benefícios em buscar a Embrapii?

Primeiramente, a redução do risco de o projeto dar errado, porque a unidade foi pré-selecionada pela Embrapii. Então, uma empresa que procurar a UFMG, por exemplo, que foi escolhida por nós dada a sua competência, que passou por crivo rigoroso e competiu com outras instituições, chegará até lá com a garantia e a certeza de que o risco é muito menor do que se sair procurando um bom pesquisador dentro da universidade. Além de o risco ser menor, o custo é mais baixo. Nosso custo médio por empresa é de 47% do projeto, ou seja, são grandes vantagens.

 

Qual a origem dos recursos da Embrapii?

A Embrapii tem contrato de gestão por seis anos com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Ministério da Educação (Mec) que preveem a aplicação de R$ 1,5 bilhão em seis anos. Portanto, quando fazemos chamada de novas unidades, elas fazem um plano de ação para seis anos. Dentro desse plano, a unidade diz quantos projetos deverão ser desenvolvidos, com quantas empresas e com qual valor ao longo desse período.

 

Qual o percentual do valor do projeto financiado pela Embrapii?

A Embrapii financia até um terço do valor do projeto, independente do valor. A unidade entra, em média, com 21%, mas não em forma de recurso financeiro e sim com equipamentos, horas máquina e profissionais capacitados. O restante é pago pelas empresas na forma de contrapartida financeira, que representa em média 47% do valor do projeto. Há projetos em que empresa entra com mais ou com menos, mas o mínimo que tem que entrar é um terço do projeto.

 

E qual é o valor médio investido pela Embrapii por projeto?

Nosso valor médio por projeto é de R$ 1,8 milhão para o período de desenvolvimento, que pode ser de um ano ou mais. Só não pode ser mais que seis anos. Hoje, nossas unidades têm 20 projetos em desenvolvimento ou R$ 36 milhões em projetos, como média. Por exemplo, uma unidade faz um plano de ação de seis anos de R$ 60 milhões. Ao longo desse período, desenvolve 20 projetos, com 12 empresas. Com isso, se dividirmos os R$ 60 milhões pelos 20 projetos, a média é de R$ 3 milhões por projeto. Desse montante, R$ 1 milhão será financiado pela Embrapii, investido sem retorno.

 

Qual o tempo médio de negociação e para liberação do recurso?

Um dos problemas que temos hoje é a burocracia dos processos, o que não acontece na Embrapii, onde não é preciso entrar em edital e a empresa negocia diretamente com a instituição de pesquisa. No nosso caso, a liberação do recurso é imediata tão logo o contrato é assinado. A duração da negociação do contrato é bastante curta, se comparado com todos os outros agentes, conforme tem sido dito pelas empresas, uma vez que nós não interferimos nisso, porque aquela unidade já está selecionada e autorizada por nós a fazer o negócio que a empresa quer fazer. Há casos em que a demora chega a duas semanas e outros mais demorados, de três meses. Isso comparado com outras instituições é muito rápido. Só temos caso de seis meses, porque era uma empresa estrangeira com sede fora do Brasil. Muito se fala que a demora maior tem sido na área jurídica das companhias.

 

Em termos de compartilhamento da propriedade intelectual, qual tem sido a política da Embrapii?

Trabalhamos com a flexibilidade da propriedade intelectual e nem entramos nessa questão. Fica a critério da unidade se entender com a empresa. Esse é o nosso modelo. Nós exigimos que seja definida a propriedade intelectual, mas a Embrapii não requer participação financeira.

 

Quais os setores mais recorrentes dos projetos desenvolvidos até agora?

Em relação a números de projetos, a maior parte fica com os setores de eletroeletrônica e informática, que é o caso da UFMG. Depois, vem metalurgia, mecânica, petróleo e gás e aeronáutica. Já em relação a valores, podemos dizer que os projetos mais caros estão em petróleo e gás, eletroeletrônica, metalurgia e aeronáutica. Vale destacar que um conjunto de setores ainda não perceberam a vantagem e a oportunidade de buscar os recursos, como é o caso dos segmentos farmacêutico, químico, de alimentos e defesa. Esses são setores que iremos estimular nas próximas chamadas.

 

Como a Embrapii tem acompanhado a eficácia do programa em estimular a inovação no país?

Cada unidade assina os contratos com as empresas e precisam informar as metas, cronogramas, entregas e resultados. Acompanhamos tanto como a empresa faz. Nosso relatório é mensal e existem até alguns semanais para verificar o desempenho da unidade e dos projetos. Monitoramos de perto e, inclusive, existe um mecanismo para descredenciar a unidade, caso não atenda o plano de ação.

 

Quais as linhas de pesquisa o senhor enxerga como tendência para o desenvolvimento dos projetos?

É inevitável que a área de informática esteja muito presente em tudo, mesmo em áreas distintas como a agricultura, que ainda está pouco representada. Não é a toa que, junto com a eletroeletrônica, a informática que tem 40% dos nossos 124 projetos.

 

Como o senhor enxerga o futuro da Embrapii?

Nosso principal desafio é manter o orçamento compatível com o crescimento sustentável que temos registrado. Para se ter uma ideia, em 2014 tivemos R$ 10 milhões em assinatura de contratos. Já em 2015, houve um salto para R$ 110 milhões e, somente no primeiro semestre deste ano, chegamos a R$ 100 milhões em contratos novos. Além disso, queremos incluir pequenas e médias empresas nos projetos, assim como manter os três níveis de vantagens: menos risco, menos custo, com geração ágil e flexível. Também queremos manter a expansão. Temos boas perspectivas para o futuro.

 

professor-jorge_2Jorge Almeida Guimarães

Graduado em medicina veterinária, também possui doutorado em Ciências Biológicas. Percorreu toda a carreira universitária atuando como professor na UFRRJ, UNIFESP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-SP, na Unicamp, UFF e UFRJ. É professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

Observação:

Unidades Embrapii são constituídas a partir de competências tecnológicas específicas de instituições de pesquisa cientifica e tecnológica, públicas ou privadas sem fins lucrativos, com experiência comprovada no desenvolvimento de projetos de inovação em parceria com empresas do setor industrial.


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