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Inovação no Setor Químico Brasileiro –Desafios Técnicos, Captação de Recursos Financeiros e ESG

A indústria química brasileira é atualmente a sexta maior do mundo.

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A indústria química é um dos setores mais dinâmicos e importantes do Brasil. É comumente chamada de a “indústria das indústrias”, já que produz insumos presentes em quase todos os bens de consumo e em todas atividades econômicas. Ela inclui empresas de alta relevância nacional, como petroquímicos, produtos farmoquímicos, produtos químicos de uso industrial, fertilizantes, cosméticos, higiene pessoal, produtos de limpeza, tintas, plásticos, entre outros.

Além de potencial produtivo, o Brasil vem em uma crescente histórica de formação de doutores e 2020 foi o ano com mais pesquisadores brasileiros entre os mais citados do mundo, com destaque para área de farmacologia, ciências agrárias e sociais e imunologia. Há, porém, grandes avanços quanto a pesquisas em engenharia e ciências com aplicação direta na indústria química. O levantamento da Fapesp mostra ainda que a cooperação internacional e a interdisciplinaridade das pesquisas vêm aumentando(1). O aumento do potencial de pesquisa e qualificação de mão de obra é um aceno positivo para o setor químico.

A indústria química brasileira é atualmente a sexta maior do mundo, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). No âmbito nacional, é um setor que vem em uma crescente histórica de faturamento líquido, como demonstrado pelo relatório de 2020 da Abiquim. No comparativo dos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2020 e janeiro de 2021, em relação ao período anterior, a produção teve crescimento de 1,25%, as vendas internas subiram 1,97% e o consumo aparente nacional (CAN) teve crescimento de 12,4%.

Apesar de números positivos, o momento da indústria química brasileira é delicado. No dia primeiro de março de 2021 o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.034, que revoga o Regime Especial da Indústria Química (REIQ). Além de trazer uma insegurança jurídica, a medida irá representar um aumento de impostos para o setor químico, impactando fortemente a indústria nacional de produção e tendendo à maior participação de produtos químicos importados no mercado doméstico, que se tornam financeiramente mais viáveis no mercado nacional.

Desta forma, a revogação do REIQ demanda, no curto prazo, que as empresas brasileiras invistam em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), desenvolvendo novos produtos, processos e serviços que os torne menos comoditizados e mais competitivos. Portanto, fica evidente a necessidade da busca por novos incentivos fiscais e oportunidades de fomento, visando estimular e promover, ainda mais, a inovação da indústria química nacional. O investimento em inovação tende a gerar um efeito multiplicador de retorno para a sociedade, como mostra outro estudo da Fapesp no qual é dito que, por exemplo, nos Estados Unidos cada US$ 1 gasto em inovação gerou uma taxa de retorno de US$ 4 para a sociedade norte-americana.

O ecossistema de inovação brasileiro contempla oportunidades de fomento direto (como Embrapii e Plataforma de Inovação para Indústria) e indiretos (tais como a Lei do Bem e a redução do Pis e Confis), que permite as indústrias reduzir os riscos nas atividades de PD&I por meio do compartilhamento do investimento em conjunto com fontes de fomento públicas e privadas.

Para o setor químico, pode-se destacar a aderência aos Green Bonds, oportunidade de fomento aplicada a projetos “verdes”, por meio de títulos de dívidas incentivados. Este instrumento, incentiva iniciativas que aproveitam de forma sustentável o ecossistema natural brasileiro. Destaca-se que o Brasil possui um dos biomas mais ricos do mundo, e há pautas recentes incentivando a bioeconomia, o amadurecimento da integração de valores ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) e a utilização responsável dos nossos recursos ambientais, em prol do aquecimento da indústria química nacional. Neste contexto, a captação de investimentos para o setor, por meio de títulos de dívidas verdes, ou Green Bonds, se tornam ainda mais relevantes.

Por fim, conclui-se que as atividades inovadoras das indústrias químicas têm alto potencial para captação de recursos financeiros, nacionais e internacionais. A ABGI Brasil possui expertise na captação e gestão estratégica de recursos financeiros para inovação e atua em conjunto com as principais indústrias químicas do Brasil, maximizando os resultados da inovação.

Gargalos e Tendências do Mercado

O setor químico brasileiro enfrenta dificuldades relevantes para se manter na atual sexta colocação mundial no ranking das maiores indústrias químicas do mundo. O recente pronunciamento da Índia, realizada em 19 de março deste ano, anuncia que deverá ser feito cerca de 87 bilhões de dólares em novos investimentos no setor petroquímico no país, o que ameaça esta posição do Brasil.

Outro exemplo de investimento em larga escala do setor químico, a China, segundo país que mais investiu em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre 2000-2018 (só atrás dos Estados Unidos) , anunciou no início de março de 2021 a construção de uma nova planta química que será integralmente alimentada por matérias primas renováveis (8).

Enquanto isso, o governo federal brasileiro extinguiu o REIQ no início de março, regime que buscava reduzir a disparidade de custos entre a indústria local e a internacional. Segundo a nota publicada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em 17 de março de 2021, “O REIQ foi instituído como ferramenta para dar competitividade à indústria química nacional em razão da ampla vantagem competitiva da indústria estrangeira do setor, dentre elas: i) carga tributária internacional média de 25% enquanto a carga da indústria nacional é de aproximadamente 46%; ii) custo de matéria-prima no Brasil é muito mais elevado (o eteno no Brasil custa três vezes mais que nos Estados Unidos, o nafta custa 20% a mais e a energia 100% a mais)”.

Soma-se a isso outros gargalos da indústria química brasileira como: alto custo das matérias-primas básicas e falta de contratos de longo prazo; alto custo de energia; custos logísticos e custos burocráticos elevados. O Brasil possui recursos naturais, potencial energético renovável e petróleo e gás natural para o abastecimento da indústria química, mas ainda são necessárias ações efetivas para competir com economias desenvolvidas.

A fim de reduzir o chamado “custo Brasil”, acelerar o crescimento da economia e em consequência toda a cadeia do setor químico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou em fevereiro de 2021, uma lista com 25 propostas, voltadas para as frentes de financiamentos, meio ambiente, relações de trabalho, infraestrutura e comércio exterior. Alguns exemplos de medidas citadas são: modernização de parques industriais em direção à indústria 4.0; aprovação do marco legal nacional para o licenciamento ambiental; regulamentar o Sistema Nacional de Garantias de Crédito; adotar medidas que permitam adaptações imediatas para a retomada de empregos, da produção e da produtividade; e modernizar o financiamento público às exportações.

Presente nas medidas propostas do CNI, a Nova Lei do Gás foi aprovada no Congresso Nacional no dia 17 de março. A Nova Lei do Gás promete promover a competitividade e atrair investimentos para o setor de óleo e gás, aumentando empregos no setor e movimentando a indústria química como um todo. De acordo com a nota do Ministério de Minas e Energia, os segmentos de papel e celulose, fertilizantes, siderurgia, vidro e cerâmica, agronegócio e petroquímico serão positivamente afetados, o que pode gerar mais renda e empregos, além de baratear os custos de matéria-prima para a indústria química nacional.

O cenário é de desafios, mas também de oportunidades. A economia brasileira ainda é uma das mais dinâmicas do mundo e o setor produtivo químico um dos mais diversificados. Além disso, o setor elétrico brasileiro enfrenta profundas transformações, diversificando a matriz energética (utilizando mais fontes renováveis, como a solar, eólica e de biomassa), o armazenamento de energia e colocando o consumidor como protagonista na decisão de escolhas de serviço, o que aumenta a inovação no setor. Outras oportunidades relevantes a serem citadas no setor químico brasileiro é a transformação para a Indústria 4.0 e incentivos ao desenvolvimento sustentável.

Soma-se a isso o tamanho do agronegócio brasileiro, sendo um dos setores menos afetados pela pandemia do Covid-19 e com altas projeções de exportações para este ano. Este setor está intimamente ligado com a indústria química, criando demandas na produção de fertilizantes, rações animais e biomassa, por exemplo.

Por fim, é necessária mão-de-obra qualificada para os desenvolvimentos citados. O Brasil em 2019 concedeu 24.280 títulos de doutorado, alta de 6,1% em relação ao ano anterior, e vem em uma crescente histórica de formação de profissionais altamente qualificados para atuar no setor químico. Segundo o mesmo levantamento feito pela Fapesp, dentre estes doutores cerca de 1865 são das áreas de Ciências exatas e da Terra e Engenharias.

Demandas e Inovação no Setor Químico

Inovação é um processo fundamental para qualquer tipo de indústria, independente do ramo de atuação. Permite que as empresas desenvolvam processos, produtos e serviços que a tornam disruptivas e se diferenciem da concorrência. A necessidade de tornar os processos produtivos mais eficientes e com menor custo, a mudança de hábitos de consumo, a percepção de valor do produto e até mesmo eventos imprevisíveis (como a atual pandemia do Covid-19), são algumas situações que norteiam os projetos inovadores nas indústrias químicas. Dessa forma, os profissionais precisam estar atentos às necessidades de outros setores, a fim de produzirem soluções às estas demandas.

A título de exemplo, a procura por álcool em gel no início da pandemia do Covid-19 aumentou significantemente no mundo inteiro, a ponto de uma empresa no interior paulista aumentar a produção de álcool em gel em 6500% em março de 2020. Demandas como esta podem vir acompanhadas da necessidade de reinventar a linha de produção, que podem ser financiadas por capital próprio ou buscado por meio de fomentos à inovação. Atividades inovadoras e com desafio tecnológico ainda podem ser beneficiados pela Lei do Bem.

O aumento da necessidade por álcool cria uma demanda no setor sucroalcooleiro, que expandiu a produção e exportação de açúcar e álcool em 2020. O processo produtivo de açúcar e etanol envolve diversas operações unitárias passíveis de otimizações de processo, sendo que as indústrias deste setor no Brasil vêm investindo em expansão de plantas industriais e batendo recordes de produção e faturamento nos últimos anos. No Brasil, o processo de produção sucroalcooleiro é predominante realizado por meio da fermentação de açúcares presentes na cana-de-açúcar. Resumidamente, o processo consiste em cultivo da cana, extração e disponibilização dos açúcares, a fermentação do mosto e a destilação do produto fermentado. Além disso, o cultivo da cana carece da utilização de fertilizantes e defensivos agrícolas, segmentos com faturamento líquido, respectivamente, de 9,3 bilhões e 11,5 bilhões de reais em 2020.

Outro segmento da indústria química de grande relevância nacional é o de produtos farmacêuticos. A crise do Covid-19 evidenciou, por exemplo, a dependência de importação de ingredientes farmacêuticos ativos (IFA) para a produção de vacinas, sendo a Índia e China os países líderes mundiais na produção desses insumos. A Fiocruz e o Butantã já se mobilizam para produzir o IFA nacional, o que pode garantir a autossuficiência na produção de vacinas . Enquanto isso, existem discussões quanto ao aproveitamento da biodiversidade da Amazônia para o setor farmacêutico, aproveitando o conhecimento popular da região para a produção de medicamentos, o que impulsionaria o setor farmoquímico como um todo. O panorama nacional, portanto, é de aceleração de aportes em pesquisa e desenvolvimento por farmacêuticas nacionais, tendo em vista a emergência global para produção de novos medicamentos e vacinas .

O setor de petroquímicos básicos e resinas termoplásticas teve como faturamento líquido em 2020, 12,5 bilhões de reais. A busca por alternativas biodegradáveis para o plástico, por exemplo, exige uma reformulação da cadeia produtiva de indústrias petroquímicas, para que consigam substituir o tradicional petróleo por matérias-primas neutras em carbono. Estes esforços já viabilizaram a produção de biopolímeros e polímeros verdes com tecnologia nacional, que ajudam na preservação da natureza e ainda possibilitam a negociação de créditos de carbono pelas empresas que consigam diminuir a emissão de CO2 por iniciativas semelhantes. Outro exemplo deste setor é o desenvolvimento de um termoplástico extrusado com fibras naturais, material 100% reciclável e exclusivo da América Latina, sendo utilizado principalmente na indústria calçadista e no setor automotivo.

Outros ramos relevantes são os de produtos e preparados químicos diversos (faturamento líquido em 2020 de 8,2 bilhões de reais ), que enquadram por exemplos adesivos e selantes, explosivos, aditivos de uso industrial, catalisadores, tintas, esmaltes, vernizes entre outros. Os adesivos, selantes e explosivo, por exemplo, possuem tecnologias que envolvem tanto a engenharia de produto, química e de materiais, necessitando conhecimentos técnicos diversos pensando em inovação de produto. Exemplificando uma inovação recente referente à indústria de tintas e vernizes, uma empresa em parceria com uma universidade federal desenvolveu (com nanotecnologia) um verniz que bloqueia vírus e bactérias de embalagens.

Ainda no setor de produtos químicos diversos, os catalisadores sólidos (ou catálise heterogênea), além de serem essenciais na indústria química como um todo, se inserem como um dos pilares fundamentais da química verde no desenvolvimento de produtos e processos químicos que reduzam ou eliminem o uso e a geração de substâncias perigosas. O desenvolvimento e a aplicação de novos catalisadores estão simultaneamente atingindo duplos objetivos, proteção ambiental e benefício econômico. Dessa forma, projetos que envolvem a síntese e utilização de catalisadores estão muitas vezes relacionados com atividades de ampla complexidade tecnológica e passíveis de ser beneficiados por incentivos fiscais ou até mesmo fomentos não-reembolsáveis e reembolsáveis.

Em conexão com o contexto atual de pandemia, a indústria química assume um papel fundamental na produção de insumos de importância indiscutível no combate à Covid-19, como gases medicinais, máscaras de polipropileno, seringas para vacinação e produtos de limpeza e higiene.

Em resumo, o desenvolvimento do setor químico é indispensável para possibilitar uma melhor qualidade de vida para a população de um país, promover o crescimento econômico e também para viabilizar uma agenda sustentável de proteção ambiental.

Para viabilizar o desenvolvimento deste setor, é necessário o investimento em novos produtos, processos e modelos de negócio capazes de gerar vantagens competitivas a médio e longo prazo para as empresas. Neste contexto, inovar torna-se vital para a sustentabilidade das empresas e do país em um futuro próximo.

Mas como o ecossistema brasileiro de inovação contribui para que as empresas tornem o processo de inovação acessível? A figura abaixo, elaborada pela ABGI, ilustra como a política nacional de ciência, tecnologia e inovação tem estimulado a inovação no Brasil. Os tipos de incentivos são variados e os valores são significativos, mostrando que existem atores relevantes no cenário nacional que viabilizam projetos inovadores para a indústria.

Quais são as Oportunidades de Recursos para a Inovação na Indústria Química?

Antes de detalhar as oportunidades de recursos para inovação na indústria química, é necessário definir o que é inovação. O conceito de inovação é bastante diverso, e neste sentido a ABGI elaborou um artigo que esclarece a concepção deste termo. De forma resumida, inovação é a “exploração de ideias com sucesso”. Dentre as possibilidades de inovar, as inovações tecnológicas se referem a produto e processos, e outros tipos se relacionam a novos mercados, modelos de negócio, novas fontes de suprimentos e métodos organizacionais. Os mensuráveis de sucesso podem estar relacionados ao aumento de faturamento, acessos a novos mercados, aumento de margens de lucros e até visando agregar valor aos stakeholders das empresas, aplicando práticas responsáveis ESGs (Environmental, Social and Governance). Os exemplos de oportunidades de inovação para a indústria química brasileira, exemplificadas no item anterior, se enquadram em muitos dos tipos de inovação descritos aqui.

Como mostrado na figura abaixo, existem diversas iniciativas que tornam o processo inovador acessível para as empresas. O mapa abaixo, elaborado pela ABGI, ilustra as diversas oportunidades de fomento para projetos de PD&I no Brasil. A ABGI atua desde 2006 no Brasil, sendo uma consultoria pioneira na gestão estratégica dos recursos financeiros e processos para inovação. O Livro “Fomento à inovação: da ideia ao recurso”, escrito pelos profissionais da ABGI esclarece algumas ações para viabilizar a execução de ideias inovadoras pelas empresas.

Os incentivos às atividades de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) foram melhor estruturados no país em 2005, com a criação da Lei do Bem, na qual regulariza incentivos fiscais à projetos desse tipo. Desde lá, o número de empresas participantes da Lei do Bem vem crescendo significantemente. De acordo com o levantamento realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em 22 de março deste ano, o número de empresas participantes deste incentivo fiscal saltou de 130, em 2006, para 2288 em 2019. Dos 15,37 bilhões de reais investidos em inovação, as empresas conseguiram como retorno fiscal 3,58 bilhões de reais.

Dentre os incentivos fiscais, destaca-se ainda a utilização da tomada de créditos do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), na sistemática de cobrança não-cumulativa, na qual incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, sobre os gastos que se enquadrem no conceito de insumos. Essa nova interpretação desses tributos lançou a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS para as empresas que investem em Pesquisa e Desenvolvimento.

Quanto aos tipos de apoio financeiro direto, evidencia-se a grande quantidade de oportunidades de recurso para a inovação no Brasil. São diversos instrumentos que viabilizam o aporte de recursos financeiros diretos em projetos, programas ou empresas inovadoras, tais como subvenções econômicas, financiamentos, recursos não reembolsáveis ICT-Empresa, venture capital, entre outros.

Os recursos reembolsáveis são caracterizados por empréstimos com melhores condições de juros e taxas. Dentre os atores por trás deste tipo de recurso, destacam-se o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e FINEP, por exemplo, sendo fontes contínuas de empréstimo e oferecendo ocasionalmente editais e chamadas específica para setores relevantes da economia, podendo citar aqui programas como o BNDES Finem Inovação, BNDES Gás, BNDES Prosoft, PSI Inovação, , Finep Inovação, Finep Inovacred 4.0 e Conecta, Finep Internet of Things (IoT).

Os recursos não-reembolsáveis geralmente são disponibilizados por meio de chamadas sob forma de Subvenção Econômica. Alguns atores relevantes deste tipo de recursos são a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que disponibilizam continuamente oportunidades de fomento a projetos e porgramas inovadores, muitas vezes em parceria com startups, instituições de ensino e de ciência e tecnologia (ICTs).

Em valores até março de 2021, o FINEP já liberou R$ R$ 36.727 bilhões em contratos de recursos não reembolsáveis, reembolsáveis e subvenção econômica, beneficiando 26.504 empresas. O BNDES já liberou R$ 847 milhões em contratos com foco em inovação, e o EMBRAPII já liberou mais de R$ 1,63 bilhão de projetos em empresas em P&D, apoiando 740 empresas até então.

Dentre as opções para recursos humanos, pode-se destacar o Programa Inova Talentos do CNPq e IEL. O programa visa inserir profissionais especializados (graduando e graduados, mestres e doutores com comprovada experiência acadêmica em pesquisa) em áreas de PD&I para execução de projetos de inovação no ambiente empresarial. O programa concede bolsas de fomento e capacitação supervisionada aos bolsistas, promovendo aumento da competitividade das empresas brasileiras e o desenvolvimento científico no País, inserindo profissionais qualificados em projetos de relevância tecnológica.

Além disso, existem outras formas de apoio à inovação tecnológica não necessariamente por um estímulo financeiro, mas por meio de apoio a serviços tecnológicos, formação de redes de cooperação, compartilhamento de infraestrutura de PD&I, aceleração de negócios inovadores, entre outros. São exemplos programas como o IPT Open Experience, Catalisa ICT, FAPESP PITE (recurso não-reembolsável em parceria com instituições de ensino superior), BRDE LABS, FIEP – Hub de inteligência artificial.

Desta forma, para colocar em prática projetos de inovação é necessário um planejamento bem feito, buscando o diagnóstico do momento atual da empresa, o levantamento das melhores oportunidades disponíveis no mercado e a execução dos projetos. Neste sentido ABGI possui em seu portfólio a Gestão Estratégica dos Recursos Financeiros para Inovação (GERI), que busca ajudar as empresas a tomar as melhores decisões quanto ao recurso correto a ser implantado, tendo em vista a fase do projeto ou programa. A figura abaixo sumariza a atuação da ABGI quanto ao GERI.

Títulos de Dívida Voltados para Investimentos Responsáveis – ODS Bonds

Environmental, social and corporate governance (ESG)

A década 2021-2030 vai ser a mais desafiadora em termos de inovação envolvendo ESGs de todos os tempos. Pautas como o capitalismo o consciente, liderança coorporativa inclusiva e sustentabilidade integrada à governança se tornam vitais não só para promover um futuro melhor, mas também para captar investimentos e recursos para empresas. Em agosto de 2020, o The New York Times demonstrou que Fundos ESGs cresceram mais que fundos tradicionais. Desta forma, faz-se necessário criar estratégias para a emissão de títulos de dívidas (bonds) pautadas em ESGs, viabilizando o aporte de capital por empresas que almejam investir em programas inclusivos, sustentáveis e com gestão responsável de stakeholders.

O Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo e o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) em 2020 mostrou que o país se encontra na posição 94° de 180 países de acordo com a Transparência Internacional. Estes índices tendem a espantar investidores, que buscam investimentos seguros e rentáveis pensando no médio e longo prazo. Em contrapartida, algumas empresas presentes no território nacional vêm investindo em ações em concordância com os valores ESGs. A bolsa de valores brasileira, a B3, anunciou em dezembro as empresas que fazem parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), contendo 39 empresas de 15 setores. Apesar disso, pouquíssimas empresas nacionais conseguiram o selo B-Corp, índice concedido a empresas que atendem aos mais altos padrões de desempenho social e ambiental verificado, transparência pública e responsabilidade legal para equilibrar lucro e propósito.

As ações necessárias para o desenvolvimento responsável e sustentável das empresas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), sendo 17 indicadores elaborados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Algumas ações voltadas a valores de Governança responsável são: ética e transparência, estruturação de comitês de auditoria fiscal, diversidade na composição do conselho de administração e independência do conselho. Quanto às ações sociais, alguns exemplos são: reduzir a fome mundial, apoio à primeira infância, aumento de empregos, combate às doenças e epidemias e redução de desigualdades. Neste sentido, os Títulos Sociais, ou Social Bonds, são exemplos de títulos de dívidas que podem ser emitidos para financiar projetos ou ativos com impactos positivos para a sociedade.

A Agenda 2030 prevê que em apenas 9 anos o brasil (e o mundo) adote medidas para aplicar ações relacionadas às ODS, em prol do fortalecimento da paz universal e com foco nos seres humanos e na proteção do meio ambiente, tornando ainda mais urgente a atenção de governos, sociedade, empresas e academia quanto aos valores ESGs mencionados.

O Brasil desempenha um papel fundamental na agenda sustentável mundial em decorrência da sua vasta matriz ambiental, e, portanto, a utilização responsável da sua riqueza natural em prol de atividades é importante não só para frear o aquecimento global, mas para também colocar o país como um dos mais promissores em termos de investimentos relacionados a atividades “verdes”. Neste contexto, os títulos de dívidas como Green Bonds representam uma realidade para alavancar setores da economia, como o agronegócio e indústrias químicas.

Alguns recentes artigos tratam “o verde como o novo óleo”, dissertando como a mudança de paradigma na produção de energia, de combustíveis fósseis não renováveis para combustíveis renováveis, já representam uma mudança na cadeia produtiva da indústria química como um todo. A energia renovável (solar, eólica e biomassa), se nos últimos 30 anos foi alavancada pelas tentativas de reação ao aquecimento global, hoje já representa um mercado viável em termos de custo de produção energética, o que abre espaço para um mercado nacional promissor.

Por exemplo, estudos acadêmicos já confirmam a possibilidade de conversão de biomassa lignocelulósica residual em produtos químicos com alto valor agregado para a indústria, como biocombustíveis e moléculas precursoras de fármacos, polímeros e plásticos. A biomassa lignocelulósica representa, por exemplo, árvores, gramíneas e algas, que são geradas com uma alta taxa na biosfera (77×109 toneladas por ano), com apenas 3,5% sendo usados para necessidades humanas. Esta conversão é feita por meio da utilização de catalisadores e processos químicos específicos, mas a viabilidade econômica industrial deste processo ainda não é uma realidade nacional. Este é apenas um exemplo da possibilidade de negócios que integre o rico ecossistema de agroindústrias nacional, o setor químico e investimentos sustentáveis.

Desta forma, as possibilidades de integrações de sustentabilidade, novos modelos de negócio, indústria química e Social e Green Bonds representam uma necessidade da indústria nacional para os próximos anos.

Como a ABGI pode Apoiar na Emissão de Social e Green Bonds?

No Brasil, os investimentos de impacto movimentaram cerca de 785 milhões de dólares no biênio 2018-2019. Ainda é um valor pequeno, frente a capacidade nacional de aporte de títulos de dívida desse tipo. Em junho de 2019, o diretor da SITAWI, Gustavo Pimentel, estimou o mercado de emissão de títulos de dívidas “verdes” no Brasil para os próximos 5 anos, no valor de 100 bilhões de reais.

Um levantamento mostrado pela Natixis Investment Managers pontuou, em 2019, que a América Latina tem a maior demanda global para investimentos em ESGs, representando 64% da demanda global. Quase dois terços (63%) dos investidores latino-americanos veem o investimento como uma forma de ter um impacto social ou ambiental positivo e pouco mais de dois terços (69%) estariam mais inclinados a investir em um fundo com uma pegada mais baixa de carbono.

Os benefícios relacionados aos Social e Green Bonds são amplos, tanto para o emissor quanto para o investidor. Para o emissor, pode-se citar ganhos de reputação, maior visibilidade para projetos sustentáveis, marketing positivo, mitigação e prevenção dos riscos originados pelas mudanças climáticas e possibilidade de captação de capital com prazos mais longos. Para o investidor, há a garantia da transparência no uso dos recursos e o retorno financeiro, já que a emissão de títulos garante ganhos de juros com preços definidos pelo mercado no momento da emissão.

Para garantir que um projeto ou programa se adeque às condições necessárias para ser considerando um Social ou Green Bond, é necessário preencher alguns requisitos, a fim de garantir a transparência do projeto para o aporte de capital pelo investidor. Além disso, após a emissão do título e compra pelo investidor, é necessário o monitoramento dos projetos e recursos investidos, bem como a elaboração de relatórios de resultados.

Neste sentido, a ABGI pode apoiar empresas na Pré-Emissão, Emissão e Pós Emissão dos títulos. Mais especificamente, no desenho da abordagem dos Projetos Sociais e Verdes, avaliação e seleção do portfólio, apoio na busca de bancos coordenadores de emissão, suporte na preparação técnica de documentos e até na preparação de dossiê interno para comprovação dos investimentos realizados.

Conclusão

Apesar do momento desafiador, existem diversas oportunidades para a indústria química brasileira. Aliar o potencial ambiental, a revolução energética, aprimoramento da infraestrutura interna, aumento de competitividade, investimentos sustentáveis e inovação é o caminho para que o setor químico e a economia nacional se desenvolvam.

Neste contexto, a ABGI se apresenta como um catalisador no desenvolvimento inovador do setor químico e industrial brasileiro. Os 15 anos de experiência com a gestão estratégica e captação de recursos financeiros, consultoria gerencial e de inovação garantem a ela um diferencial de mercado, quando se trata dos mecanismos de incentivos a inovação.

Além de uma robusta experiência em alinhar às necessidades de inovação das empresas às oportunidades existentes de capacitação de recursos (mix de fomentos e GERI), a ABGI se apresenta como uma consultoria capaz de alinhar os valores das ESGs aos investimentos responsáveis, ajudando na emissão de títulos de dívidas dos tipos Social e Green Bonds.

Autor:

Graduação em Engenharia Química e Mestrado em Engenharia Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Na ABGI, atua em projetos de incentivos fiscais à inovação tecnológica da Lei do Bem, Rota 2030, Lei de Informática, com foco na enquadramento técnico dos projetos e escrita de relatórios técnicos. Também apoia em projetos de Gestão dos Recursos Financeiros à Inovação (GERI).


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