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Os Desafios do Setor Automotivo em Direção à Indústria 4.0

Um novo capítulo da indústria automotiva está sendo escrito pelo governo brasileiro. O novo programa incentivará, além da produção de veículos mais eficientes e seguros, a implantação da 4ª revolução industrial.

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  • Setor automotivo

Publicado em 21/11/2017

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Durante seus cinco anos de vigência, o Inovar-Auto, programa governamental de estímulo ao aumento da competitividade do setor automotivo, trouxe uma evolução nos produtos manufaturados no Brasil, principalmente em relação à eficiência energética. O mercado foi invadido por novos modelos, com motores de pequena cilindrada e apenas três cilindros, além de outras tecnologias que contribuíram para a redução do consumo de combustível e emissão de poluentes. Entretanto, houve pouco avanço em termos de segurança veicular e modernização do parque industrial, apesar da instalação de projetos de investimentos no país, até porque o Programa não impôs targets, como os de eficiência energética, que motivassem o desenvolvimento de inovações tecnológicas para essas áreas.

Agora, um novo capítulo da indústria automotiva está sendo escrito pelo governo brasileiro. Chamado de Rota 2030 – Mobilidade e Logística, o novo programa incentivará, além da produção de veículos mais eficientes e seguros, a implantação da 4ª revolução industrial. Essa pode ser considerada uma ação fundamental para tornar as indústrias do setor automotivo aqui instaladas, fornecedoras global, expandindo a participação das mesmas além das fronteiras do MERCOSUL e México.

 

Indústria 4.0 e a realidade nacional

Apesar de relativamente nova e liderada por países desenvolvidos como Alemanha e Estados Unidos, a Indústria 4.0 (ou Manufatura Avançada) preconiza a conexão física e digital entre dispositivos, máquinas e sistemas, do ambiente produtivo e de desenvolvimento, e em diferentes etapas da cadeia de valor. Seus principais benefícios são o incremento da produtividade e diminuição dos custos operacionais, aumentando, consequentemente, a competitividade das empresas que a utilizam. Além desses, permite uma maior flexibilidade produtiva, um menor tempo de desenvolvimento e a oferta de novos serviços e modelos de negócio.

Porém, para alcançar essa digitalização industrial, elevados investimentos são necessários e nem todas as empresas possuem recursos para investir em projetos com este escopo. De acordo com uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), quase metade das empresas de diferentes portes e setores entrevistadas utilizam ao menos uma tecnologia digital. Dentre as que utilizam, 73% a empregam em seu processo produtivo, 47% no desenvolvimento da cadeia de valor e apenas um terço na criação de novos modelos de negócios. Dentre as tecnologias listadas, 27% utilizam sensores para automatizar o controle do processo produtivo e 19% possuem sistemas integrados de engenharia para o desenvolvimento de produtos e dos seus processos produtivos. Por outro lado, apenas 4% incorporam serviços digitais em seus produtos, tendência de consumo apontada por estudos de diversos institutos. Em suma, o tema ainda está sendo descoberto pelas empresas brasileiras e essas não estão maduras o suficiente para identificar quais tecnologias poderão impulsionar significativamente seus negócios.

 

Ações para o desenvolvimento

Diante deste cenário, é imprescindível a criação de um modelo adequado à realidade brasileira e que auxilie as empresas a identificarem como alavancar seus negócios através da revolução digital. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) está encarregada da criação desse modelo, bem como do desenvolvimento de plataformas de demonstração, que serão utilizadas para o desenvolvimento experimental de tecnologias de manufatura avançada antes de aplicá-las no ambiente produtivo, denominadas testbeds. Na mesma direção, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) criou um Grupo de Trabalho sobre o tema. Conhecido como GTI 4.0, o grupo conta com a participação de integrantes de outros ministérios (como MCTIC, MEC e MF), de agências de financiamento (BNDES e FINEP), de associações do setor privado e academia, e tem por objetivo criar uma estratégia nacional para o tema.

Para possibilitar o avanço do país nessa dimensão tecnológica da manufatura, essa estratégia deve considerar a formação profissional. O país possui o menor egresso de engenheiros (área fundamental para o desenvolvimento da Manufatura Avançada) se comparado a outras nações, como China e Coréia do Sul. Outro desafio é a qualificação dos profissionais, visando reduzir o déficit de know-how em relação ao tema nas indústrias aqui instaladas. Conforme publicação de 2016 do Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs, na maioria das indústrias e países, os cargos ou especialidades mais demandadas atualmente não existiam a dez ou, até mesmo, cinco anos atrás e mais da metade dos estudantes que ingressam hoje no ensino fundamental ocuparão cargos que ainda não existem. Antenadas a essa demanda, algumas instituições de ensino têm criado programas de formação de pessoas no tema Indústria Avançada, dos mais diversos tipos, tais como cursos de pós-graduação lato sensu e mestrados profissionalizantes; centros de competência focados em manufatura, com laboratórios abertos; e apoio ao empreendedorismo de base tecnológica e criação de startups.

Do lado empresarial, para a aquisição de conhecimentos pode haver um intercâmbio de profissionais entre filiais brasileiras, matrizes estrangeiras e fábricas instaladas em outras regiões e que utilizam o conceito. Porém é imprescindível a adequação (i) das tecnologias à infraestrutura existente no país e (ii) do conceito ao grau de maturidade operacional e gerencial dos diversos players da cadeia de valor. Nesse sentido, é válida a criação de centros de desenvolvimento, o estabelecimento de parcerias com universidades, centros de pesquisa, e outras instituições (como o SENAI, por exemplo), bem como aproveitar os modelos e condições que serão criados pelos atores envolvidos na definição da nova política industrial.

Para que o país insira-se no mercado automotivo global, é fundamental que os produtos aqui manufaturados sejam eficientes, seguros e de qualidade, além de terem custos competitivos. O uso da Indústria 4.0 contribui diretamente para o aumento da qualidade e redução de custos, porém a idade do nosso parque fabril, infraestrutura pública deficitária e crescente insegurança cibernética desencorajam investimentos nesta área. Portanto, acredita-se que o Rota 2030 acelere a definição de uma agenda política baseada nos modelos mais avançados, com a criação de instrumentos de financiamento condizentes. O apoio a programas estruturantes para a formação de pessoas e criação de novos negócios também é imprescindível, seja no âmbito nacional, bem como através do intercâmbio técnico-científico. Sem estes estímulos, dificilmente a cadeia automotiva brasileira se conectará ao futuro da mobilidade e manufatura.

 

 

MDIC publica Portaria nº 1.387/17: Auditoria Inovar Auto e Procedimentos Previamente Acordados 1


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