Panorama dos programas do setor automotivo

Ganhos do Inovar-Auto e o que se espera com o Rota 2030

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O “Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores – Inovar-Auto” entrou em vigor em Janeiro de 2013 com validade até 2017. Dentre os principais objetivos na sua criação podemos citar o estímulo ao aumento do conteúdo regional na produção, a garantia do investimento em P&D, o aumento do volume de gastos em Engenharia, Tecnologia Industrial Básica e Capacitação de Fornecedores e o aumento da eficiência energética dos veículos, através da etiquetagem veicular e redução da emissão de CO², definindo níveis aceitáveis.

Com o fim do Inovar-Auto e a recente condenação pela OMC, o Governo Federal prepara uma nova política de incentivos ao setor automotivo, denominada Rota 2030, retirando as preferências para conteúdo nacional.

O Programa “Rota 2030”, visa estabelecer metas e incentivos às indústrias por um período de 15 anos, com 3 ciclos de desenvolvimento, possibilitando metas e projetos de longo prazo.

Para a construção da nova política, foi criado o Grupo de Alto Nível – Mobilidade e Logística (GAN 2030), que debate os principais desafios para a indústria automotiva. Ele conta com 6 Grupos de Trabalho, de forma a possibilitar que o novo incentivo atenda, efetivamente, às necessidades do setor.

Na entrevista a seguir, o Sr. Gilmar Laignier, gerente de desenvolvimento de negócios da Fiat Chrysler, nos apresenta um panorama dos programas e demonstrando os ganhos do Inovar-Auto e o que se espera com o Rota 2030.

 

Substituto do Inovar-Auto, o Rota 2030 já mostrou caminhos que a indústria de automóveis brasileira planeja tomar, quais são esses pilares e seus principais avanços?

O Programa Rota 2030 vem para substituir o programa Inovar-Auto, que terá seu fim no final desse ano, com os aperfeiçoamentos devidos. O MDIC – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços criou seis Grupos de Trabalho para atender as diversas áreas e atender algumas lacunas existentes. São eles: 1 – Cadeia de Autopeças – Agenda para Reindustrialização; 2 – P&D, Engenharia e Conectividade e (SGT Manufatura 4.0); 3 – Eficiência Energética, Emissões, Biocombustíveis e Novas Tecnologias de Propulsão; 4 – Segurança Veicular, Inspeção Técnica Veicular e Renovação de Frota; 5 – Produção em Baixos Volumes, Produção Local de Sistemas Automotivos e de Eletrônica Embarcada; 6 – Estrutura de Custos para Integração Competitiva. A construção do programa está sendo debatida entre o Governo e  representantes do setor produtivo: Anfavea, Sindipeças, Abeifa, além da AEA como balizadora técnica independente.

Um grande avanço que teremos é que agora vamos entender a abordagem do  programa de forma mais abrangente, propondo uma linguagem conceitual mais próxima de quem opera, formulada para facilitar a compreensão dos conceitos. Tentamos trazer uma linguagem mais próximo de quem opera.

O sistema promove possibilidades de trazer desenvolvimentos de projetos e tecnologias do exterior para o Brasil.

 

Você participa do Grupo de Trabalho 2, pode nos contar um pouco das diretrizes já definidas?

 Discutimos durante meses os temas macros. Cada grupo teve uma meta e agora estamos apresentando todos os trabalhos e fazendo a integração dos grupos.

No Grupo 2: P&D, Engenharia e Conectividade e (SGT Manufatura 4.0) temos a perspectiva de promover o crescimento no polo de desenvolvimento  brasileiro.

Diferente do Inovar-Auto, o programa se destaca por  considerar toda a cadeia  produtiva do setor, um vez que será estendido para as autopeças.

A partir do Inovar-Auto, trabalhamos na simplificação sem perder conteúdo, no aprimoramento dos conceitos fundamentados em referências internacionais. Por exemplo: abordado o conceito de pesquisa considerando a realidade do setor, voltado para o centro de desenvolvimento de produto, diferentemente do “Inovar”, que voltava-se para o centro de desenvolvimento de pesquisa. Com essa nova proposta metodológica, o campo de atuação parte da concepção do projeto à sua manufatura, além das questões técnicas na pós-vendas do produto e ao seu descarte. Pensar no desenvolvimento com a lógica de ciclo de vida de um produto.

O aprimoramento dos conceitos visa também a segurança jurídica às empresas  habilitadas, criando um ambiente favorável ao acesso e a operação do  programa.

 

A pesquisa e o desenvolvimento se destacaram no Inovar-Auto permitindo que as empresas fizessem fortes investimentos no setor. Podemos esperar novas conquistas? 

Não pensar só em projetos pontuais, o Rota terá um pensamento a longo prazo, proporcionará as empresas, fornecedores e montadoras possibilidades de se programarem para o futuro, buscando a competitividade global.

Ganha destaque  a formação de pessoas. O programa coloca as empresas diante de um desafio, busca a competitividade por meio do adensamento tecnológico, da pesquisa e do desenvolvimento. Ocorre que, para avançar nestes quesitos, são necessários profissionais com conhecimentos suficientes para responder às exigências do avanço tecnológico e da competitividade global.

Assim, pode-se afirmar que, o programa de adensamento tecnológico deve necessariamente ser acompanhado por adensamento científico.

Essa abordagem permite então entender a capacitação profissional como uma medida estruturante de relevância essencial, para atingir-se os resultados de programas de incentivo à competitividade que visem a sustentabilidade do setor.

 

O Inovar-Auto trouxe uma mudança para o Brasil. O que fica?

 O Inovar-Auto foi um programa interessante, trouxe várias possibilidades para o setor. Em um período muito curto o Brasil recebeu muitas indústrias, mas agora temos que pensar em como desenvolver, e se estruturar ainda melhor, de forma sustentável a longo prazo e com competitividade global.

O Inovar-Auto foi o primeiro programa voltado para o setor, muito denso, ficamos um período longo trabalhando nas regulamentações, porém, aprendemos muito com o programa. Algo de tamanha grandeza não se faz em toque de mágica, aprendemos com a prática, vendo as possibilidades. O programa veio de forma intensa e abrangente, uma grande oportunidade para o País.

Já com  o Programa Rota 2030 temos o privilégio de trabalhar como base os  aprendizados, e diversas experiências das empresas e do governo, temos debatido bastante o tema, aprendendo mutuamente, formando uma inteligência coletiva.

Convém destacar a maturidade adquirida pelo setor produtivo e governo, no desenvolvimento de trabalhos em colaboração mútua.  Tanto no  Inovar-Auto quanto  agora no Rota 2030.

 

Quais os maiores desafios que o programa enfrentará?

Teremos alguns desafios:

  • Entender o programa, na perspectiva capaz de gerar soluções válidas para aumentar a competitividade do setor, no mercado local e global.
  • Estruturar um processo com métodos, técnicas e ferramentas para a gestão do programa
  • Articular ambientes favoráveis à geração e apropriação de oportunidades convergentes ao programa.

 

Gilmar Laignier é formado em Engenharia Elétrica pela PUC-MG. Gerente de desenvolvimento de Negócios – Regulatory Compliance and Advanced Studies – Fiat Chrysler. Diretor de Novas Políticas Setoriais da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Coordena o Grupo Técnico de Inovação da ANFAVEA, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

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