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Retorno social e econômico sobre investimento em PD&I público e privado

O estudo avalia os benefícios diretos e indiretos da inovação.

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Como a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), podem causar retorno para a sociedade e por que não concentrar ou aumentar os investimentos públicos em PD&I? Para responder essas e outras perguntas, um estudo foi realizado pela Frontier Economics, uma das maiores consultorias da Europa.

O estudo, ECONOMICS, Frontier. Rates of return to investment in science and innovation. A report prepared for the UK Department for Business, Innovation and Skills (BIS), 2014., considera dois tipos de retorno, os diretos (econômicos) e os indiretos (sociais). O retorno direto é o quanto as pesquisas agregam diretamente para a instituição que a realizou o investimento, seja na venda do produto desenvolvido ou na redução de custo causada pela nova tecnologia.

Por sua vez, o indireto é medido pelo ganho que o setor e/ou país teve com as pesquisas desenvolvidas, seja em redução de custos, ganho de produtividade, maior contratação ou na utilização da nova tecnologia por outras organizações.

Sobre o retorno indireto considera-se a seguinte premissa: mesmo que os ganhos estejam restritos a um setor específico, toda a sociedade se beneficia.

Isto porque, o retorno indireto pode ser considerado como um ganho para todos, seja inicialmente nos setores produtivos, por meio de um novo método de produção com menor desperdício de material ou menor tempo de produção ou matéria prima mais barata, acarretando uma redução do custo do produto acabado, influenciando assim no preço final. Possibilitando maior acesso a população em geral e demais agentes da cadeia produtiva, impactando cada um de formas diferentes.

O estudo ressalta a dificuldade de acompanhar essa cascata de beneficiáveis, uma vez que são impactados diferentes agentes e das mais variadas formas. Além disso, outro obstáculo seria o fato de que a metodologia atual se limita em ganhos de produtividade micro e macroeconômico, englobando a visão de diferentes níveis: nacional, setorial e regional.

Investimento do setor privado x público

Um outro ponto importante a se considerar é a diferença entre os investimentos feitos pelos dois setores. Enquanto o setor privado investe majoritariamente em pesquisas voltadas mais ao mercado e com retornos mais rápidos – entre 1 e 3 anos – o público é voltado a pesquisas básicas e em serviços como segurança, saúde e educação, com retornos mais demorados. Nesse último caso, os retornos são mais difíceis de serem mensurados, principalmente, em razão dos benefícios diretos serem menores e os indiretos (sociais) maiores.

Ainda, o mencionado artigo utiliza como base pesquisas e dados da década de 80 até os dias atuais e pode-se chegar a taxa de retorno direto no setor privado de 25% (vinte e cinco por cento) em média.

Apensar das dificuldades metodológicas na mensuração dos impactos dos investimentos públicos, o ártico traz três estudos, Mansfield (1991), Beise and Stahl (1999) e Cohen et. al. (2002) que buscaram utilizar um método diferente para averiguar o retorno trazido pelos investimentos públicos. Foi feito uma busca dentro de diferentes indústrias pioneiras em inovação, em diferentes épocas e países, a fim de verificar quantas de suas pesquisas utilizam como base estudos realizados pelo setor público.

O resultado apontou que aproximadamente 10% de toda nova pesquisa aplicada realizada pelo setor privado não existiriam sem uma pesquisa básica financiada pelo setor público. O que representou até 5% dos novos produtos/processos feitos pela inciativa privada, variando de cada setor.

Seguindo a mesma metodologia, os retornos sociais do setor público são de 28% (vinte e oito por cento) em média, considerando somente os ganhos obtidos por essas pesquisas que serviram de base para o setor privado. Outro aspecto importante é o investimento em educação feito pelo Estado, é citado que para cada dólar investido pelo Estado em educação superior, se tem um retorno de 3 dólares para o PD&I do setor privado.  Por sua vez, no setor privado, estima-se que os retornos sociais sejam de 2 a 3 vezes maior do que os diretos, ou seja, até quase 75%. Então por que ainda ter um investimento público pesado se o retorno do privado é muito maior?

Um setor completa o outro

Apesar das taxas de retorno serem bastante diferentes, os investimentos em PD&I realizado pelos dois setores são complementares, com prazos e direcionamento diferentes, sendo as pesquisas básica foco do setor público, crucial para as pesquisas aplicadas e desenvolvimento do setor privado.

Ambos os investimentos, não importando sua esfera, causa grandes retornos sociais afetando positivamente a eficiência e produtividade de toda a sociedade, trazendo um ganho na qualidade de vida do país como um todo. Não suficiente, proporciona, direta e indiretamente, benefícios ligados a segurança, saúde, educação e processos burocráticos.

Existem diversas abordagens de como o setor público pode atuar dentro do contexto de PD&I, concentrando seus recursos em ganhos sociais como em educação ou estimulando e auxiliando o setor privado a produzir mais pesquisas, por meio de subsídios, incentivos fiscais e terceirização. Seja qual for a abordagem utilizada, desde que corretamente aplicada, acarretará grandes benefícios a toda estrutura da sociedade.


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